Feira de Santana fazia parte das rotas das companhias circenses brasileiras ainda no século 19. Estudo mostra como artistas, palhaços, acrobatas, músicos e até animais transformavam a rotina da cidade entre 1882 e 1920.
O artigo ‘O circo chegou na feira! Arte circense no interior do Brasil (1882–1920)’ foi publicado na revista Antíteses, da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. É assinado por Fábio Santana Nunes e Aldo José Morais Silva, docentes da Uefs, e Daniel Venâncio de Oliveira Amaral, da Universidade Estadual de Montes Claros.

A primeira passagem registrada foi em agosto de 1882. O Circo Equestre e Zoológico chegou a Feira depois de apresentações em Salvador e Cachoeira. Os pesquisadores estimam duas ou três exibições em Feira.
Os circos aproveitavam as ferrovias conexões para circular pelo interior. Em Feira, montavam pavilhões na Praça Dr. Remédios Monteiro e no Campo do Gado. Parte das trupes também se apresentava no Teatro Santana, por vezes para avaliar se a cidade oferecia público suficiente para receber toda a companhia.
Torcidas
Um dos grandes destaques foi o Circo Paraense, que chegou 1901, com vinte artistas, homens e mulheres, incluindo três palhaços. Foram 13 apresentações em três semanas, com sucesso de público e críticas favoráveis nos jornais locais.
O circo reunia diferentes camadas sociais, separadas pelo preço e pelo tipo de acomodação. Próximo ao picadeiro, as cadeiras mais caras e os camarotes. Os setores populares eram a geral e arquibancadas, o “galinheiro”. Existiam torcidas por artistas como Marietta, Margarida e o palhaço Pedro.
As companhias visitavam Feira nos períodos de festas religiosas, comemorações cívicas e dias de feira livre, quando a cidade recebia moradores da zona rural e de municípios vizinhos. Algumas apresentações beneficiavam as filarmônicas 25 de Março e Vitória, entidades religiosas, vítimas das secas, e até times de futebol.
O estudo mostra que o circo não era apenas diversão. Movimentava o comércio, dialogava com a imprensa, despertava rivalidades e ajudava a construir novas formas de lazer e convivência
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ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/article/view/53824
Por Everaldo Goes
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22/10/26

