Em setembro de 2022, Tonho da Bahia ocupava o centro das atenções na reabertura da Galeria de Arte Carlo Barbosa, do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), da Uefs. Os quadros de José Antônio dos Santos Pereira levavam para aquele espaço as cores e o cotidiano de Feira de Santana. Quatro anos depois, cabe perguntar à Universidade o que ocorreu com a trajetória artística que a própria instituição ajudou a revelar.

Auxiliar de serviços gerais e trabalhador terceirizado, Tonho encontrou no ambiente onde trabalhava uma oportunidade de formação. Em 2014, aos 54 anos, começou a participar das oficinas do Cuca. Aprendeu desenho com Avelina Bitencourt e pintura com Jorge Galeano. Em 2017, uma obra foi selecionada para a Bienal Internacional de Arte Naïf Totem Cor-Ação, em Socorro, no interior de São Paulo.

Na exposição de 2022, o então reitor Evandro do Nascimento afirmou que a iniciativa “cumpre um papel de valorizar a obra de um artista da terra”. Também destacou que Tonho “tem um estilo muito próprio de uso de determinadas cores, mas com a temática muito presente na nossa realidade de Feira de Santana e de nossa região”. Defendeu, ainda, esforços de valorização “dos nossos potenciais”.
Há pelo menos um registro institucional posterior. A programação da Feira de Graduação da Uefs, em outubro de 2024, anunciou a exposição de uma obra de Tonho entre as atividades do Cuca. Esse anúncio, entretanto, não esclarece como prosseguiu a produção do artista, quais oportunidades recebeu desde então ou qual relação mantém atualmente com o centro de cultura. Ou se ele foi convidado e esteve presente.
Esquecimento
Tonho continua pintando? Participa de oficinas e exposições? Permanece trabalhando na Universidade? Houve transferência do Cuca para o campus e, em caso positivo, por qual motivo? Que acompanhamento e incentivo à produção artística foram mantidos? São perguntas dirigidas à Uefs e ao Cuca sobre uma trajetória apresentada publicamente como exemplo dos resultados da formação cultural.

A história de Tonho merece continuidade e visibilidade. Ao reconhecer naquele trabalhador um artista capaz de representar Feira de Santana, a Universidade mostrou o alcance de uma oportunidade. Agora, não pode simplesmente deixar no esquecimento. Cabe esclarecer os caminhos dessa trajetória e quais possibilidades existem para que o público volte a encontrar Tonho da Bahia e a produção dele.
Fotos arquivo Uefs
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18/10/26

