Diretrizes preveem raciocínio lógico, compreensão das tecnologias e uso responsável da internet, com implantação gradual e conteúdos integrados ao currículo
Resolver problemas, compreender como as tecnologias funcionam e aprender a avaliar as informações que circulam na internet. Esses são alguns dos objetivos do ensino de Computação na Educação Básica, que ganhou um novo encaminhamento na rede municipal de Feira de Santana. Em notícia publicada em 13 de outubro, a Prefeitura informou a adesão às diretrizes curriculares da Bahia, formalizada pelo Conselho Municipal de Educação por meio da Resolução nº 030/2026. A implantação será gradual, acompanhada de formação dos profissionais e incorporada ao planejamento das escolas.

A proposta organiza a aprendizagem em três eixos. O pensamento computacional desenvolve a capacidade de dividir problemas em partes, identificar padrões e estabelecer passos para encontrar soluções. O mundo digital envolve a compreensão de equipamentos, redes e do armazenamento e da circulação de dados. Já a cultura digital trata da participação consciente, crítica e responsável nos ambientes tecnológicos. Na prática, a formação busca dar aos estudantes condições de compreender e utilizar a tecnologia com maior autonomia.
Aprendizagem também sem telas
Na educação infantil, essa abordagem pode envolver brincadeiras de organizar objetos, reconhecer repetições e seguir sequências de instruções. São possibilidades da chamada computação desplugada, realizada sem computador. A Resolução CME nº 90/2025, publicada em agosto do ano passado, já previa atividades lúdicas e exploração de padrões nessa etapa. Para o ensino fundamental, estabelecia a introdução progressiva de programação, robótica e projetos interdisciplinares. Na Educação de Jovens e Adultos, a orientação é trabalhar situações do cotidiano e tecnologias acessíveis.
O mesmo documento municipal define a Computação como componente transversal e integrador, articulado às demais áreas do currículo. Assim, uma atividade de Matemática pode explorar sequências e soluções para problemas, enquanto uma proposta de leitura pode estimular a avaliação das informações recebidas. Esses são exemplos possíveis de aplicação. A norma também atribui à Secretaria Municipal de Educação a responsabilidade de assegurar infraestrutura tecnológica mínima, materiais pedagógicos e formação continuada dos professores.
Feira integra orientação nacional
A mudança faz parte de um movimento mais amplo. Em 2022, o Conselho Nacional de Educação estabeleceu as normas de Computação como complemento à Base Nacional Comum Curricular. As diretrizes nacionais de educação digital e midiática de 2025 fixaram o início da implementação dos novos currículos em 2026. Na Bahia, a regulamentação estadual admite a adesão dos sistemas municipais, respeitando a autonomia de cada rede. A decisão de Feira insere-se nesse processo, com a expectativa de desenvolver raciocínio lógico, criatividade, segurança digital e capacidade de analisar informações.
A rede em Feira de Santana já registra ações relacionadas ao tema. Em março deste ano, uma formação dos profissionais dos anos iniciais apresentou o projeto MicroKids, associado pela Seduc às diretrizes da BNCC Computação. Em abril, professores receberam orientações sobre a plataforma e o uso de recursos tecnológicos em diferentes componentes curriculares. A resolução de 2026 determina que as escolas incorporem as competências e habilidades aos projetos pedagógicos e prevê acompanhamento pela Secretaria de Educação e pelo Conselho Municipal. O documento não estabelece datas de implantação por escola, valores de investimento ou quantitativos de equipamentos.
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Por Everaldo Goes, com informações Ministério da Educação, Secretaria de Educação do Estado e Secretaria Municipal de Educação
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15/10/26

