Zé Coió tinha o dom de fazer Feira de Santana mais feliz. Basta olhar esta capa para sentir o convite à música, à boa mesa, aos encontros e à alegria. Até os mais tímidos e caseiros encontrariam um motivo para sair!
É a edição de 15 de outubro de 1982 do Feira Noite e Dia, caderno que José Carlos Pedreira editava para o Feira Hoje todas as sextas-feiras.
Logo na capa, Nelson Gonçalves era anunciado no Clube de Campo Cajueiro; Jamelão, no Feira Tênis Clube. O grande músico feirense Zé Trindade tocava para os clientes da Casa Caiada, com o órgão mágico. Havia ainda o estiloso Restaurante Candelabro, no Feira Palace Hotel, a saudosa Buona Pizza da Getúlio Vargas, as motos da extinta Mesbla e as ofertas da Dislar.
Era uma Feira com lugares para ir, artistas para aplaudir e histórias para viver. Lá dentro, vinham as piadas com o famoso kkkkkkk, entrevistas e notícias da sociedade, da economia e da política, contadas com a irreverência que só ele sabia imprimir.
Nos anos 1990, o caderno passou a circular na Tribuna da Bahia, de Salvador, chegando também ao interior. Em 1998, deixou de ser encarte e ganhou vida como jornal Noite e Dia, numa parceria com o amigo Cironaldo Santos, publicitário e empresário.
Hoje, o site e a revista Noite e Dia são conduzidos pela filha Carla Ongaratto e por Mailin Pedreira, dando continuidade a essa história.
Essas páginas também são fontes preciosas para a pesquisa histórica. Nos anúncios, fotografias e notas estão os espaços de convivência, os hábitos de lazer, o comércio e as relações sociais de uma cidade em transformação. Zé Coió registrava uma Feira que conhecia e vivia. Preservar esse acervo é permitir que outras gerações encontrem ali os rostos e os costumes do passado.
Zé Coió nos deixou em 31 de maio de 2026, aos 88 anos.
Por Everaldo Goes
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14/10/26

