Cinco pessoas foram presas no Reino Unido como parte de uma investigação que apura suspeitas de tráfico sexual internacional envolvendo mulheres brasileiras. A operação, conduzida pela Polícia de Cleveland, no Nordeste da Inglaterra, identificou que vítimas estariam sendo levadas do Brasil para cidades como Middlesbrough e Hartlepool, onde seriam exploradas na indústria do sexo, principalmente por meio de serviços online.
Segundo a reportagem publicada pela BBC News (leia na íntegra), quatro homens, com idades entre 25 e 40 anos, e uma mulher de 41 anos foram presos sob suspeita de envolvimento com tráfico de pessoas e crimes relacionados ao trabalho forçado. Todos foram liberados sob fiança enquanto as investigações continuam.
O sargento detetive John Bentley afirmou que a polícia está investigando a atuação de uma possível “organização internacional de tráfico de pessoas”, com ramificações locais e nacionais. A investigação começou após um morador da região relatar um movimento suspeito em uma residência, o que levou à descoberta da rede.
Mais de dez mulheres em situação de vulnerabilidade já foram identificadas como potenciais vítimas e estão recebendo proteção. Conforme explicou o detetive Bentley, muitas delas permaneciam nas propriedades devido a ameaças e coerção. Há indícios de que as vítimas assumiam dívidas com a promessa de uma nova vida, mas jamais conseguiam quitá-las.
Foram obtidas três Ordens de Escravidão e Tráfico — medidas civis utilizadas no Reino Unido para impedir que pessoas em risco continuem sendo exploradas. A diretora do projeto Halo, Yasmin Khan, que presta apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade, disse que casos como esse são recorrentes e destacou a importância de oferecer mais cuidado e suporte às vítimas, além de responsabilizar as organizações criminosas envolvidas.
Embora a escravidão moderna seja considerada um “problema nacional” pelas autoridades britânicas, a polícia não acredita que a região Nordeste do país seja um ponto crítico da prática.
Investigações no Brasil
As autoridades brasileiras também vêm atuando contra redes semelhantes de tráfico internacional de pessoas. A Polícia Federal tem identificado cúmplices no Brasil que aliciam mulheres para exploração sexual na Europa.
Em agosto de 2024, a Operação Perfídia desarticulou uma quadrilha baseada em Uberlândia (MG) que aliciava mulheres em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina. As vítimas recebiam falsas promessas de emprego e, ao chegarem à Europa, tinham seus documentos retidos e eram obrigadas a se prostituir, com boa parte dos lucros confiscados por criminosos.
Em setembro do mesmo ano, a Operação Rapax, realizada com apoio da Europol e das polícias da Bélgica e Croácia, desmontou outra organização criminosa com base no Brasil e na Europa, que também recrutava brasileiras em situação de vulnerabilidade para exploração sexual.
Essas ações revelam que o tráfico de pessoas é uma prática transnacional, que exige cooperação internacional constante. As investigações sobre o caso no Reino Unido ainda não revelaram os possíveis envolvidos no Brasil, mas especialistas acreditam que há uma rede de aliciamento operando nos dois lados do oceano.
Feira Hoje, 04/06/25

