Saúde Pública 3 de janeiro de 2026

Violência contra a mulher pode crescer até 95% no Brasil até 2033

Estudo da Universidade Federal do Ceará aponta avanço acelerado dos casos e reforça urgência de políticas públicas permanente

Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Federal do Ceará acende um alerta grave. Mantido o ritmo da última década, a violência contra a mulher no Brasil pode crescer até 95% até 2033. A projeção surge em um contexto marcado por feminicídios recentes e mobilizações sociais em várias cidades do país, recolocando o enfrentamento à violência de gênero no centro do debate público.

Entre 2013 e 2023, foram notificados 2.635.514 casos de violência contra a mulher, com crescimento médio anual de 2,26%. As projeções indicam aceleração desse avanço, com aumento estimado de 3,53% em 2024 e chegando a 5,59% em 2033. O estudo utilizou dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde e informações populacionais do IBGE. Os resultados foram publicados no ‘Journal of Interpersonal Violence’.

Violência contra a mulher pode crescer até 95% no Brasil até 2033 Estudo da Universidade Federal do Ceará aponta avanço acelerado dos casos e reforça urgência de políticas públicas permanente

Violência atinge todas as idades

Os dados revelam que a violência contra a mulher avança de forma ampla e persistente, alcançando todas as faixas etárias. A violência física segue como a mais frequente, mas a violência sexual cresce em ritmo mais acelerado, especialmente entre meninas e adolescentes. O estudo também aponta aumento significativo de casos envolvendo mulheres idosas, associado ao envelhecimento da população e à maior dependência de cuidados.

Grande parte das agressões ocorre dentro de casa e é praticada por pessoas do convívio das vítimas, como companheiros, familiares e cuidadores. Cerca de 40% das notificações envolvem violência repetida, com sobreposição de agressões psicológicas, físicas, patrimoniais e sexuais. Segundo as pesquisadoras, a violência psicológica costuma ser o primeiro passo, evoluindo à medida que o agressor fortalece relações de controle e impunidade

Subnotificação amplia a gravidade

O estudo também chama atenção para a subnotificação. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que mais de 60% das vítimas não buscam ajuda. Além disso, mais de 90% das notificações não informam o desfecho dos casos, o que dificulta o acompanhamento das vítimas e o planejamento de ações eficazes. Para as autoras, os números não representam um destino inevitável, mas um sinal de alerta. A professora Mônica Oriá, do Departamento de Enfermagem da UFC, defende mobilização do poder público e da sociedade para frear esse avanço e fortalecer políticas de prevenção, proteção e cuidado.

Feira Hoje, com informações da Universidade Federal do Ceará 

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03/01/26

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