Vestígios da Guerra Fria ainda estão presentes em rios do interior paulista
Pesquisa da USP detecta Césio-137 em área preservada e reforça a presença global dos efeitos dos testes nucleares
Uma pesquisa de mestrado da Universidade de São Paulo (USP) identificou resquícios de radioatividade em regiões pouco alteradas pela ação humana no interior paulista. Os traços encontrados são compatíveis com o ‘fallout’ — a chuva radioativa resultante dos testes nucleares realizados nas décadas de 1950 e 1960 — e confirmam que o impacto das explosões atômicas ultrapassou fronteiras e deixou marcas permanentes na Terra.
Os radioisótopos detectados, como o Césio-137, são considerados pela ciência como marcadores do Antropoceno — o período em que a atividade humana passou a ser o principal agente de transformação ambiental do planeta. Mesmo em baixas concentrações e sem risco à saúde, esses vestígios funcionam como registros da era nuclear e evidenciam a profundidade das mudanças causadas pelo homem.
Marcas da era nuclear
Entre 1953 e 1962, cerca de dois mil testes atômicos foram realizados, principalmente por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França. As partículas lançadas na atmosfera se espalharam com o vento e chegaram até o Brasil, onde foram detectadas nos sedimentos do Rio Ribeira, na região sul de São Paulo. O estudo conduzido pelo geógrafo Breno Rodrigues, sob orientação da professora Cleide Rodrigues, mostra como essas partículas ainda interagem com a dinâmica natural dos rios, décadas após os testes.
Mesmo que menos de um quarto do Césio-137 original ainda esteja ativo, ele continua rastreável e serve como marcador do impacto humano em escala planetária. A pesquisa, que segue em nível de doutorado, reforça como os efeitos da Guerra Fria continuam visíveis — não apenas nos livros de história, mas também nas camadas de solo e sedimentos que guardam a memória radioativa da humanidade.
Com informações da Agência Brasil
27/10/25




