Cultura 3 de janeiro de 2026

Um ano sem o garoto que amava os Beatles e Luiz Gonzaga

Carlos Pitta segue vivo na música, na memória cultural de Feira de Santana e no reconhecimento de seu legado artístico

Nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, completa-se um ano da morte de Carlos Pitta, um dos mais importantes nomes da música popular brasileira nascidos em Feira de Santana. Cantor, compositor e pesquisador da canção brasileira, Pitta construiu uma trajetória marcada pela união entre raízes nordestinas e diálogo permanente com linguagens universais da música.

Com mais de quatro décadas de carreira, Carlos Pitta transitou com naturalidade entre o forró, o xote, o maracatu e a embolada, incorporando elementos do pop e do funk sem perder a identidade regional. Sua obra sempre revelou cuidado estético, consciência cultural e compromisso com a música como expressão artística e social.

Um ano sem o garoto que amava os Beatles e Luiz Gonzaga Carlos Pitta segue vivo na música, na memória cultural de Feira de Santana e no reconhecimento de seu legado artístico

Entre a música e a palavra

Há exatamente 30 anos, o Feira Hoje registrava um momento especial de sua trajetória, quando Pitta se preparava para lançar o livro ‘Era um garoto que como eu amava os Beatles e Luiz Gonzaga’. A obra sintetizava sua visão artística, reunindo textos, letras e reflexões construídas ao longo de cerca de 15 anos de trabalho, dialogando com parceiros e poetas e revelando um artista atento à palavra, ao som e ao sentido da canção.

A carreira de Carlos Pitta também ganhou projeção internacional. Ele se apresentou em países como Alemanha, França, Itália, Bélgica, Suíça e Estados Unidos, incluindo participação no Festival de Montreux, levando ao exterior uma música brasileira marcada pelo ritmo, pela dança e pela identidade cultural. Ao mesmo tempo, manteve forte ligação com Feira de Santana, cidade que sempre reconheceu como referência afetiva e cultural.

Legado, reconhecimento e memória

Além da obra autoral, Pitta deixou um legado humano e formador. Foi um dos primeiros a reconhecer o talento de Ivete Sangalo, ainda aos 17 anos, oferecendo incentivo, apoio e até seu próprio instrumento para que ela desse os primeiros passos na carreira. Ao longo dos anos, dividiu palco e parcerias com nomes como Elba Ramalho, Alcione, Margareth Menezes, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Belchior e Caetano Veloso.

Um ano após sua partida, Carlos Pitta segue presente na memória musical do país e na identidade cultural de Feira de Santana. Há, inclusive, a indicação para que o teatro do Centro de Convenções da cidade, inaugurado em dezembro de 2024, receba seu nome, como forma de reconhecimento permanente de sua contribuição artística. Mais do que lembrança, sua obra continua viva, cantando o Brasil profundo que ele soube traduzir como poucos.

Everaldo Goes / Feira Hoje 

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03/01/26

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