Uefs 50 Anos 20 de fevereiro de 2026

Políticas afirmativas da Uefs completam quase duas décadas como marco de inclusão

Sistema de reserva de vagas foi implantado em 2007 após debates no Conselho Universitário e mobilização da comunidade acadêmica

A implantação das políticas afirmativas na Universidade Estadual de Feira de Santana representa um dos momentos mais significativos da história institucional da Uefs. Em 2007, a Universidade adotou um Brasão Uefs internasistema próprio de reserva de vagas, resultado de intensos debates internos, mobilização de segmentos acadêmicos e deliberação do Conselho Universitário. A decisão colocou a Instituição entre as pioneiras do país na adoção de ações afirmativas, antes mesmo da legislação federal que tornou esse modelo obrigatório nas universidades federais e estaduais anos depois.

O processo foi consolidado no final de 2006 e entrou em vigor no vestibular de 2007. À frente da Reitoria estava o professor José Onofre Gurjão Boavista da Cunha, com apoio institucional decisivo para que a proposta avançasse. Na Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, o professor Geraldo José Belmonte dos Santos teve atuação estratégica na formulação, defesa e organização técnica do novo modelo de ingresso, em diálogo com a comunidade acadêmica e com apresentação clara dos fundamentos da política. A iniciativa contou ainda com o empenho de conselheiros, docentes, estudantes e movimentos que defendiam a democratização do acesso ao ensino superior.

Como funciona o sistema

O modelo estabeleceu que 50% das vagas de cada curso seriam destinadas a estudantes que cursaram todo o Ensino Médio e pelo menos dois anos do Ensino Fundamental em escola pública. Dentro desse percentual, 80% das vagas são reservadas para candidatos pretos ou pardos, enquanto 20% destinam-se a candidatos não negros oriundos da escola pública. O sistema combinou critério social e recorte racial e reconheceu desigualdades históricas no acesso à Universidade.

Além da reserva regular, foram criadas sobrevagas, isto é, vagas adicionais por curso destinadas, inicialmente, a indígenas e quilombolas. Posteriormente, a política foi ampliada para incluir ciganos, pessoas com deficiência e transexuais, travestis e transgêneros. A medida expandiu o alcance da iniciativa e garantiu que grupos marcados por exclusão estrutural também tivessem acesso efetivo à Universidade pública.

Um marco na história da Uefs

Ao longo de quase duas décadas, o sistema de políticas afirmativas passou a integrar a identidade institucional da Uefs. Integrando ensino, inclusão e compromisso social, a Universidade reafirmou sua vocação pública e regional. Ao revisitar esse capítulo nos 50 anos da Instituição, o reconhecimento recai sobre a construção coletiva que tornou possível essa transformação e sobre a compreensão de que ampliar o acesso significa fortalecer a própria Universidade.

Feira Hoje, 20/02/25

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