Políticas afirmativas da Uefs completam quase duas décadas como marco de inclusão
Sistema de reserva de vagas foi implantado em 2007 após debates no Conselho Universitário e mobilização da comunidade acadêmica
A implantação das políticas afirmativas na Universidade Estadual de Feira de Santana representa um dos momentos mais significativos da história institucional da Uefs. Em 2007, a Universidade adotou um
sistema próprio de reserva de vagas, resultado de intensos debates internos, mobilização de segmentos acadêmicos e deliberação do Conselho Universitário. A decisão colocou a Instituição entre as pioneiras do país na adoção de ações afirmativas, antes mesmo da legislação federal que tornou esse modelo obrigatório nas universidades federais e estaduais anos depois.
O processo foi consolidado no final de 2006 e entrou em vigor no vestibular de 2007. À frente da Reitoria estava o professor José Onofre Gurjão Boavista da Cunha, com apoio institucional decisivo para que a proposta avançasse. Na Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, o professor Geraldo José Belmonte dos Santos teve atuação estratégica na formulação, defesa e organização técnica do novo modelo de ingresso, em diálogo com a comunidade acadêmica e com apresentação clara dos fundamentos da política. A iniciativa contou ainda com o empenho de conselheiros, docentes, estudantes e movimentos que defendiam a democratização do acesso ao ensino superior.
Como funciona o sistema
O modelo estabeleceu que 50% das vagas de cada curso seriam destinadas a estudantes que cursaram todo o Ensino Médio e pelo menos dois anos do Ensino Fundamental em escola pública. Dentro desse percentual, 80% das vagas são reservadas para
candidatos pretos ou pardos, enquanto 20% destinam-se a candidatos não negros oriundos da escola pública. O sistema combinou critério social e recorte racial e reconheceu desigualdades históricas no acesso à Universidade.
Além da reserva regular, foram criadas sobrevagas, isto é, vagas adicionais por curso destinadas, inicialmente, a indígenas e quilombolas. Posteriormente, a política foi ampliada para incluir ciganos, pessoas com deficiência e transexuais, travestis e transgêneros. A medida expandiu o alcance da iniciativa e garantiu que grupos marcados por exclusão estrutural também tivessem acesso efetivo à Universidade pública.
Um marco na história da Uefs
Ao longo de quase duas décadas, o sistema de políticas afirmativas passou a integrar a identidade institucional da Uefs. Integrando ensino, inclusão e compromisso social, a Universidade reafirmou sua vocação pública e regional. Ao revisitar esse capítulo nos 50 anos da Instituição, o reconhecimento recai sobre a construção coletiva que tornou possível essa transformação e sobre a compreensão de que ampliar o acesso significa fortalecer a própria Universidade.
Feira Hoje, 20/02/25
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