Cuca, a arte que transformou a história cultural de Feira
Instalado em prédio centenário, o Centro Universitário de Cultura e Arte consolidou a presença da Universidade Estadual de Feira de Santana como guardiã da memória, da formação artística e da democratização cultural no interior da Bahia
Quando a Universidade Estadual de Feira de Santana celebra 50 anos de existência, o Centro Universitário de Cultura e Arte se impõe como um de seus legados mais significativos. Inaugurado em 1995, na gestão do reitor Josué da Silva Mello, o Cuca nasceu da ousadia de integrar definitivamente arte, memória e formação acadêmica em um mesmo espaço. A iniciativa transformou a antiga Escola

Praça da Catedral (Matriz) e o prédio da então Escola Normal de Feira de Santana, anos 1930, atual Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). Imagem: domínio público
Normal da Rua Conselheiro Franco em um polo cultural permanente, ampliando a dimensão pública da Universidade para além das salas de aula.
O prédio que abriga o Cuca carrega uma trajetória própria. Construído em 1915 como Grupo Escolar J. J. Seabra e transformado em Escola Normal em 1927, formou gerações de professoras que ajudaram a redefinir o papel da educação e da mulher na sociedade feirense. Ao ser incorporado à Uefs, o casarão centenário passou a simbolizar o encontro entre tradição e contemporaneidade, preservando a memória arquitetônica e social da cidade.
Um museu que projetou Feira para o mundo
O coração do Cuca é o Museu Regional de Arte, criado em 1967 com apoio de Assis Chateaubriand. O museu reúne um dos acervos mais relevantes do interior do país, incluindo obras de modernistas como Di Cavalcanti e a rara Coleção Inglesa, composta por telas adquiridas em Londres. Após períodos de dificuldades, o museu foi

incorporado à Uefs em 1985 e ganhou sede definitiva no Cuca dez anos depois, consolidando-se como guardião da memória artística regional e nacional.
Entre 2011 e 2015, na gestão do reitor José Carlos Barreto de Santana, o prédio passou por restauração acompanhada por órgãos de preservação, garantindo condições adequadas ao acervo e devolvendo à cidade um espaço renovado. Desde então, o Cuca ampliou suas ações, reunindo galeria de exposições, oficinas de criação artística, seminário de música, atividades de dança e teatro, biblioteca especializada e projetos voltados à terceira idade.

Cultura como missão universitária
Ao completar meio século, a Uefs reafirma no Cuca uma de suas missões mais nobres. A universidade que interiorizou o ensino superior também democratizou o acesso à arte e à cultura, formando não apenas profissionais, mas cidadãos sensíveis à memória e à identidade coletiva. Nos corredores históricos do Cuca, a celebração dos 50 anos da Uefs ganha sentido pleno, pois ali a educação encontra a arte e transforma a cidade.
Assista ao depoimento de Josué Mello, reitor da Uefs (1991-1995)
Everaldo Goes / Feira Hoje
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@feirahoje
25/02/25




