Taxa de fecundidade no Brasil atinge o menor nível da história e maternidade é cada vez mais tardia
Censo 2022 mostra que mulheres brasileiras estão tendo menos filhos e em idades mais avançadas; escolaridade e religião influenciam nas decisões reprodutivas
A taxa de fecundidade no Brasil caiu para 1,55 filho por mulher, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE. É o menor índice já registrado no país, bem abaixo da taxa de reposição populacional (2,1). O levantamento aponta que as brasileiras estão tendo filhos cada vez mais tarde: a idade média da fecundidade passou de 26,3 anos, em 2000, para 28,1, em 2022.
A queda foi mais acentuada nas regiões Sul e Sudeste, onde a taxa ficou em 1,50 e 1,41, respectivamente. No Norte, a taxa ainda é a mais alta do país (1,89), embora também abaixo da reposição. Apenas Roraima apresenta índice acima de 2,1 filhos por mulher. Entre os estados com menor fecundidade estão Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).
Outro dado revelador mostra que cresceu o número de mulheres que chegam ao fim do período reprodutivo sem filhos. Entre as que têm entre 50 e 59 anos, o percentual passou de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. No Rio de Janeiro, essa proporção atinge 21%.
A escolaridade e a religião também influenciam nos números. Mulheres com ensino superior têm, em média, 1,19 filho, enquanto as sem instrução ou com fundamental incompleto têm 2,01. Entre os grupos religiosos, as evangélicas lideram com 1,74 filho por mulher; espíritas e seguidoras da umbanda e candomblé apresentam as menores taxas.
No recorte racial, indígenas ainda mantêm taxa acima da reposição (2,8 filhos por mulher). Já mulheres brancas e amarelas registram os menores índices. A pesquisadora Izabel Marri, do IBGE, afirma que maior escolarização oferece mais acesso a informações e métodos contraceptivos, o que influencia diretamente nas escolhas reprodutivas das mulheres.
Feira Hoje, com informações da EBC
27/06/25




