Sebastião Salgado morre aos 81 anos
Uma lente que revelou o mundo e semeou esperança
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu nesta quinta-feira (23), aos 81 anos, em Paris, onde vivia desde os anos 1970. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização que fundou ao lado da companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado.
“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de Lélia, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade”, diz a nota do Instituto.
Economista de formação, Salgado trocou a teoria pelos olhos do mundo. Suas imagens em preto e branco capturaram, com sensibilidade rara, a dor, a dignidade e a resistência dos povos marginalizados, o drama dos deslocamentos forçados, as condições de trabalho extremo e a beleza bruta da natureza.
Nascido em 1944 no interior de Minas Gerais, exilou-se na França durante a ditadura militar. Começou sua carreira fotográfica nos anos 1970 e logo ganhou destaque internacional, com passagens por agências como Sygma, Gamma e Magnum, até fundar a própria, Amazonas Imagens.
Salgado foi autor de livros e exposições marcantes, como ‘Êxodos, Trabalhadores, Terra e África’. Seu trabalho recebeu os mais importantes prêmios da fotografia mundial, como o Eugene Smith, o World Press Photo e o prêmio Hasselblad. Também foi nomeado embaixador da Unicef e membro da Academia de Artes e Ciências dos EUA.
O documentário ‘O Sal da Terra’, dirigido por Wim Wenders e seu filho Juliano Salgado, revelou ao mundo a alma por trás da câmera.
Mais do que um fotógrafo, Sebastião Salgado foi um contador de histórias do planeta. Sua lente documentou as contradições do mundo. Sua vida ensinou que restaurar a terra também é restaurar a humanidade.
Veja obras de Sebastião Salgado
Feira Hoje, com informações da EBC
23/05/25




