Fluminense de Feira, o Santos da Bahia
Em 1971, a revista Placar exaltou o Touro do Sertão como símbolo de um interior que sonhava alto. Hoje, o desafio é reviver a força e o orgulho de outros tempos
Quando o Brasil descobriu o Touro
Era junho de 1971 quando a maior revista esportiva do país dedicou uma página inteira ao Fluminense de Feira de Santana. A reportagem, assinada por Carlos Libório, trazia um título inesquecível: Fluminense, o Santos da Bahia”. E não era por acaso. O Santos, naquele tempo, era o time de Pelé, bicampeão mundial, símbolo de um futebol encantador. Comparar o Flu de Feira ao Santos era mais do que um elogio — era o reconhecimento de uma potência que nascia no coração do sertão baiano.

Colaboração do empresário feirense Marcos Freitas
Orgulho de Feira
O texto da Placar destacava o crescimento da cidade, seu espírito empreendedor e a paixão do povo pelo time que ousava enfrentar os grandes de Salvador. O Fluminense já havia conquistado o Campeonato Baiano duas vezes, em 1963 e 1969, e colecionava campanhas marcantes — como o vice-campeonato em 1956 e 1968, quando enfrentou gigantes do estado de igual para igual.
Um clube que começou grande
O Touro do Sertão estreou no campeonato estadual em 1954, e apenas dois anos depois já era vice-campeão. Um feito que mostrou logo de início que o interior também podia sonhar alto. O Flu era, e ainda é, um orgulho de Feira de Santana — cidade que sempre respirou trabalho, fé e futebol.

O Santos da Bahia
Naquele texto histórico, Libório escrevia que o Fluminense queria ser tão grande quanto o Santos de Pelé. A equipe, com nomes como Merrinho, Sapatão, João Daniel e Nico, enchia estádios e fazia o torcedor acreditar. A torcida era uma das maiores do interior do Brasil, fiel e vibrante, pintando de verde, vermelho e branco as arquibancadas do Joia da Princesa e da antiga Fonte Nova.
Campeão com alma e raça
O título de 1969 foi um marco. Além de conquistar o estado, o Flu consolidou o respeito dos adversários da capital. Era o interior mostrando que podia desafiar os tradicionais Bahia e Vitória. Naquele tempo, Feira de Santana sonhava em ver seu time brilhar também no Campeonato Nacional — e a Placar dizia que isso era só questão de tempo. E em 1976, 1977 e 1979 disputou o Brasileirão, enfrentando no Joia da Princesa grandes equipes como Bahia, Flamengo e Fluminense do Rio.

Os bons tempos precisam voltar
Hoje, passadas mais de cinco décadas daquela reportagem, o Fluminense vive dias difíceis. O time amarga a segunda divisão do Campeonato Baiano, longe das glórias que o tornaram um símbolo do interior. Mas a chama da tradição continua acesa, alimentada por uma torcida apaixonada e por uma história que merece ser lembrada.

Feirinha é personagem de charges do Feira Hoje
Uma herança que não se apaga
O Touro do Sertão não é apenas um clube — é um patrimônio cultural de Feira de Santana. Cada conquista, cada jogo épico, cada camisa suada construiu uma memória que ultrapassa o campo. Reviver esses tempos de ouro é também resgatar o orgulho de uma cidade que sempre acreditou na própria força.
Do passado ao futuro
Que a lembrança do Fluminense de Feira como “O Santos da Bahia” inspire novas gerações. Porque o futebol é cíclico, e quem já foi grande pode voltar a ser. Que o Touro reencontre seu caminho e volte a rugir entre os maiores da Bahia.
Everaldo Goes / Feira Hoje
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12/10/25




