Em resposta à publicação “Uefs sem Memória”, instituição alega que “não há legislação que obrigue sites a manter conteúdos on-line por tempo indeterminado”
Em nota enviada ao Feira Hoje, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) apresentou esclarecimentos sobre o conteúdo da matéria “Uefs sem Memória”. A seguir, o posicionamento do Feira Hoje antes da publicação da íntegra da resposta oficial encaminhada pela instituição.
Posicionamento do Feira Hoje
O Feira Hoje publica, na íntegra, a resposta encaminhada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) à matéria “Uefs sem Memória“, veiculada recentemente neste portal. Contudo, antes de apresentar o texto oficial, é necessário registrar algumas considerações.
1. É preciso lei para manter a própria história?
A Uefs afirma que “não há legislação nacional nem norma interna que obrigue sites de notícias a manterem conteúdos on-line por tempo indeterminado”. A observação, embora verdadeira em termos jurídicos, é preocupante em termos institucionais. A preservação da memória de uma universidade pública não depende de obrigação legal, mas de compromisso ético, cultural e histórico. Trata-se de zelar pela própria trajetória da instituição e de seus servidores, estudantes e pesquisadores — não de atender a uma exigência formal.
2. “Não existem mecanismos técnicos” — e então?
A direção da Uefs alega que “não existem mecanismos técnicos de restauração integral do antigo site, que foi descontinuado após o período de coexistência entre as plataformas”. Seja como for, o dever institucional não se extingue com o avanço da tecnologia. Arquivos, mesmo que desativados, podem e devem ser preservados, recuperados ou republicados. O que a comunidade acadêmica e a sociedade desejam saber é: os arquivos ainda existem? Foram armazenados em backup? Estão sendo restaurados ou apenas esquecidos? Silenciar sobre isso é o mesmo que confirmar o apagamento histórico.
3. “Compromisso permanente” — mas sem prazos nem ações concretas
A nota assegura que “a preservação da história, da produção científica e cultural e das ações da universidade é um compromisso permanente”. Porém, não informa o que está sendo feito, nem apresenta cronograma ou plano de ação para recuperar o material perdido. A promessa genérica de que “um novo portal está sendo desenvolvido” não responde à questão central: onde está a memória da Uefs dos anos anteriores a 2015?
4. Acusação infundada de “disputas pessoais”
A nota menciona que “o espaço jornalístico não deve se confundir com disputas pessoais ou tentativas de deslegitimação das instituições”. O Feira Hoje repudia tal insinuação. A reportagem foi elaborada com responsabilidade, baseada em fatos verificáveis, e precedida de solicitação formal de resposta ao Gabinete da Reitoria, com prazo suficiente para manifestação — que não foi atendida. Cobrar transparência de uma instituição pública não é deslegitimar: é exercer o dever jornalístico e cidadão.
Conclusão
O Feira Hoje reafirma seu respeito pela Universidade Estadual de Feira de Santana, por sua importância acadêmica, científica e cultural, mas mantém a posição expressa na matéria original: uma universidade sem memória é uma universidade sem identidade. O que se espera agora é uma resposta prática, e não apenas protocolar, sobre como e quando a memória digital da Uefs voltará a ser acessível ao público.
Nota oficial da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) informa que o site institucional foi atualizado para a tecnologia XV3 em meados de 2015, substituindo o antigo sistema Plone, que operava em outro servidor. A primeira publicação da nova plataforma data de 21 de agosto de 2015, às 15h35.
Na ocasião, não houve migração automática do conteúdo do site anterior para o novo, uma vez que as duas tecnologias são incompatíveis entre si. O acesso ao site antigo permaneceu disponível por cerca de quatro anos, permitindo à comunidade acadêmica e ao público externo consultar livremente as informações que julgassem pertinentes.
Atualmente, não existem mecanismos técnicos de restauração integral do antigo site, que foi descontinuado após o período de coexistência entre as plataformas. Importante destacar que não há legislação nacional nem norma interna que obrigue sites de notícias a manterem conteúdos on-line por tempo indeterminado.
A Uefs repudia qualquer tentativa de associar essa transição tecnológica à falta de cuidado com sua memória institucional. A preservação da história, da produção científica e cultural e das ações da universidade é um compromisso permanente, expresso em diversas iniciativas, além do trabalho contínuo da Assessoria de Comunicação na organização e registro das atividades da comunidade universitária.
Atualmente, a universidade investe em tecnologia e gestão de dados para que os fatos mais relevantes de sua história permaneçam preservados e acessíveis. Um novo portal institucional está sendo cuidadosamente desenvolvido, com especial atenção à acessibilidade, usabilidade, transparência e modernização da comunicação pública.
Defendemos e acreditamos que o jornalismo é uma atividade essencial, que deve ser pautada pela responsabilidade e pela apuração rigorosa e não tendenciosa dos fatos. Em um contexto de frequentes ataques à universidade pública, é fundamental que o espaço jornalístico não se confunda com disputas pessoais ou tentativas de deslegitimação das instituições que produzem conhecimento e contribuem para a construção de uma sociedade justa e igualitária.
A Uefs mantém relação respeitosa, ética e colaborativa com todos os veículos de comunicação da cidade, do estado e do país, atendendo inclusive a demandas internacionais. Não há que se falar atualmente em negar qualquer informação solicitada de forma idônea, com transparência e sem qualquer traço de parcialidade ou ameaça.
A universidade segue aberta ao diálogo e comprometida em informar com verdade, objetividade e responsabilidade, princípios que orientam sua atuação institucional e comunicacional.
Feira Hoje, 08/11/25




