Quando o cinema ganha corpo e textura
Exposição de Valério Voltz na Galeria Carlo Barbosa transforma clássicos do cinema brasileiro em esculturas vibrantes e poéticas
A magia das telas do cinema brasileiro agora pode ser tocada, sentida e observada de perto. Na Galeria de Arte Carlo Barbosa, no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca/Uefs), o escultor gaúcho Valério Voltz apresenta a exposição Entre o Cinema e a Matéria, uma homenagem ao poder das narrativas nacionais. As esculturas em papel machê recriam cenas, personagens e atmosferas de filmes que marcaram gerações, como Central do Brasil, Bye Bye
Brasil, O Pagador de Promessas e Tropa de Elite. A mostra segue aberta ao público até 7 de novembro, com entrada gratuita.
Com sensibilidade e técnica refinada, Voltz faz o cinema saltar da tela para o espaço expositivo. Cada escultura parece conter o sopro da emoção que move a sétima arte: rostos que contam histórias,
gestos congelados que vibram de humanidade, formas que revelam a resistência da arte brasileira. O papel machê, material simples e popular, ganha protagonismo e profundidade ao se tornar símbolo do próprio cinema nacional — feito muitas vezes de improviso, mas carregado de genialidade.

O artista e sua matéria viva
Natural de Cachoeirinha (RS) e radicado em Feira de Santana, Valério Voltz é um artista plural. Atua como escultor, desenhista, pintor, restaurador e ilustrador, sempre com olhar voltado para a reutilização de materiais. Jornais, arames e retalhos de madeira ganham nova vida em suas mãos, convertendo-se em obras que aliam crítica, memória e poesia. Seu domínio técnico faz
com que o papel machê pareça metal ou pedra, numa fusão entre delicadeza e força.
Com obras expostas em várias cidades gaúchas e homenagens esculpidas a figuras populares, como o cantor Teixeirinha, Voltz confirma em Entre o Cinema e a Matéria sua vocação de artista que transforma o simples em extraordinário. É uma experiência que convida o público não apenas a ver, mas a sentir o cinema brasileiro com os olhos e com as mãos.
Assista ao vídeo com o depoimento de Valério Volts
Everaldo Goes / Feira Hoje
@feirahoje→www.instagram.com/feirahoje




