Professor vê a reprodução do colonizador na IA
Obra ‘Do Pelourinho ao Algoritmo da Senzala’ alerta para o risco de a IA reproduzir desigualdades e convida à reprogramação do futuro com ancestralidade
Em tempos de avanço acelerado das tecnologias digitais, o professor Josias Pereira, do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), lança uma obra que provoca reflexão sobre o futuro da educação e da tecnologia. O livro ‘Inteligência Artificial: Do Pelourinho ao Algoritmo da Senzala’, publicado pela Editora Rubra Cognitiva, está
disponível gratuitamente em formato digital e propõe uma leitura crítica sobre o papel da inteligência artificial (IA) na sociedade brasileira, a partir de uma perspectiva antirracista, descolonial e enraizada no território do Recôncavo da Bahia.
Na obra, o autor questiona a ideia de neutralidade dos algoritmos e mostra como as inteligências artificiais podem reproduzir, com precisão técnica, séculos de exclusão racial, de gênero e de classe. “Os dados que alimentam as IAs são profundamente viciados. Eles vêm, em sua maioria, de uma classe social hegemônica, de arquivos escritos que ignoraram séculos de saberes orais, comunitários e ancestrais, como os dos povos indígenas, quilombolas e camponeses do Recôncavo”, explica o professor.
Integrando tecnologia e educação
Coordenador do Laboratório Acadêmico de Educação e Tecnologia (LabEduTec/UFRB), Josias pesquisa há mais de 13 anos a interface entre tecnologia, educação e justiça social. É editor-chefe da Revista Roquette Pinto: A Revista do Vídeo Estudantil e autor de mais de 20 livros. Em 2023, publicou ‘A Inteligência Artificial e o Processo Educacional: Desafios e Possibilidades na Era do ChatGPT’, uma das primeiras obras no Brasil a discutir criticamente o uso pedagógico dessa tecnologia. No ano seguinte, lançou um livro juvenil em que uma adolescente dialoga com uma inteligência artificial chamada Jurema, inspirada na sabedoria ancestral dos povos da Bahia.
Dando continuidade a esse percurso, o professor prepara um novo livro coletivo, com professores e pesquisadores convidados, para ampliar o debate sobre IA e educação. O projeto pretende incluir jovens do Recôncavo com letramento digital e saberes ancestrais, “subvertendo a lógica da máquina e inserindo vozes, histórias e rostos que a IA ainda não reconhece”.
Um convite à reflexão crítica
Com ‘Do Pelourinho ao Algoritmo da Senzala’, Josias Pereira reforça o compromisso de pensar uma tecnologia justa, descolonizada e a serviço da educação libertadora. “Este livro é um alerta e um convite: alerta para o risco de naturalizarmos uma IA que reproduz colonialismo, racismo e exclusão; e convite para reprogramar o futuro com os saberes que a máquina ainda não aprendeu a ouvir”, resume o autor.
A obra está disponível gratuitamente em formato digital
Com informações UFRB
10/11/25
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