Prefeito Elpídio Nova inaugura iluminação elétrica e serviço telefônico em Feira
Edição histórica de 1931 revela o dia em que a luz elétrica chegou, Bonfim celebrou seu padroeiro e um jovem médico retornou à cidade
(Por Everaldo Goes) – Poderia ser manchete de um portal de hoje, mas o fato é de 3 de janeiro de 1931. Naquela tarde, a então Companhia de Energia Elétrica da Bahia colocou em funcionamento o sistema de iluminação elétrica. Também foi inaugurado o serviço telefônico urbano de Feira de
Santana. A notícia, registrada pelo Folha da Feira — jornal do acervo da Biblioteca Digital Outran Borges, da Academia Feirense de Letras (AFL) —, reaparece 95 anos depois para lembrar como a cidade se modernizou.
No início da década de 1930 a sede Feira de Santana se resumia ao centro, entre as ruas Aurora e Castro Alves, e o jornal pertencia ao editor Martiniano Carneiro. A redação funcionava na rua Manoel Vitorino, nº 20, hoje um calçadão entre a rua Marechal Deodoro e a avenida Senhor dos Passos. Graças à digitalização feita pela AFL, a edição de 3 de janeiro de 1931 e inúmeras outras estão disponíveis gratuitamente para leitura e download.
Inauguração da iluminação elétrica e telefonia
A reportagem principal relatava
a solenidade no Paço Municipal, às 19 horas, com a presença de Manuel Novaes, representante do interventor federal na Bahia, Leopoldo do Amaral, que abriu a sessão com um improviso elogiando a cidade e a empresa. Em seguida tomaram a palavra o prefeito Dr. Elpídio da Nova, o funcionário Gastão Pedreira, João Bueno (representando a diretoria) e o advogado Arthur Boaventura. A cerimônia contou com a música da Sociedade Filarmônica Vitória, demonstrando o entusiasmo da elite feirense.
A inauguração marcou a transição dos antigos serviços prestados pela firma “Melhoramentos da Feira” para a nova companhia de eletricidade. A cidade ganhava luz mais estável, expansão do serviço telefônico e uma sensação de pertencimento aos tempos modernos, como ressaltou o jornal.
Festa no distrito de Bonfim
A mesma edição também anunciava uma festa religiosa no distrito de Bonfim. A comissão organizadora preparava, a partir de 26 de janeiro, uma programação que
culminaria em 4 de fevereiro com celebrações em homenagem ao padroeiro local. Os principais atos seriam abrilhantados pela banda Lyra Ceciliana Bonfinense, orgulho musical da comunidade. A notícia convidava os leitores a participar e reforçava a importância das festas de devoção que animavam os distritos próximos.
Além de celebrar a fé, a festa mostrava como a sociabilidade e a cultura popular estavam ligadas às bandas filarmônicas e às comissões de moradores. Era uma Feira de Santana ainda miúda, mas com vida cultural que transbordava para além da praça principal.
Chegada do Dr. Luiz Welf Ferreira Vital
A coluna social saudava a chegada do jovem médico Luiz Welf Ferreira Vital, recém‑formado pela Faculdade de Medicina da Bahia (a primeira do Brasil) e filho do major João Carneiro Vital. Descrito como um espírito talentoso, o jornal informou que ele seria recepcionado na estação ferroviária por familiares, amigos e autoridades.
A Folha da Feira enviou votos de sucesso ao “promissor esculápio” e desejou-lhe uma carreira brilhante.
Para homenageá‑lo, uma comissão formada por Dr. Gastão Clóvis de Souza Guimarães, Celso Carvalho, Benigno Boaventura, Osvaldo Carneiro, Sílio Soledade, Elmano Portugal e Luiz Carneiro organizou um sarau dançante no Paço Municipal às 20 horas. O detalhe curioso é que o Dr. Luiz Welf era pai do médico Luciano Vital e do publicitário João Sérgio Vital, ambos ainda em atividade, reforçando o elo entre o passado e o presente da cidade.
Um acervo vivo
Essas reportagens mostram como a Feira de 1931 vibrava com a chegada de serviços públicos, festas religiosas e jovens profissionais. O presidente da Academia Feirense de Letras, João Batista de Cerqueira, destaca o empenho dos membros para disponibiliar ao público acervos como da Biblioteca Digital Outran Borges
Qualquer pessoa pode acessar o jornal Folha da Feira e tantos outros títulos, antigos e atuais, gratuitamente, relendo acontecimentos que moldaram a história local. É um convite para explorar memórias, valorizar a cultura e reconhecer que, mesmo noventa e cinco anos depois, certas manchetes ainda conseguem nos surpreender.
A AFL convida o público a acompanhar suas ações e publicações por meio do site oficial
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*Everaldo Goes é jornalista e graduado em Licenciatura em História
07/02/26




