A Grande Pirâmide de Gizé: triunfo humano, não obra de alienígenas
De tempos em tempos, reaparecem na internet teorias que tentam desmerecer o trabalho dos antigos egípcios. A mais recorrente afirma que, com toda a tecnologia atual, levaríamos mais de cem anos para construir a Grande Pirâmide de Gizé. Por esta “evidência”, atribuem sua construção a civilizações super avançadas que teriam existido na Terra antes dos humanos ou até a extraterrestres.
Mas as evidências históricas e estudos de engenharia mostram exatamente o contrário.
O feito dos antigos egípcios
A Grande Pirâmide, erguida há mais de 4 mil anos, foi concluída em cerca de 20 a 30 anos [1], utilizando ferramentas simples, rampas e força humana. Heródoto, que esteve no Egito em 450 a.C., registrou um prazo de 20 anos com 100 mil trabalhadores revezando-se em turnos [2]. Mas, descobertas arqueológicas — como a vila dos operários encontrada em Gizé — apontam para um número bem menor: 10 a 30 mil trabalhadores [3].

Imagem: Wikimedia Commons
E se fosse hoje, com tecnologia moderna?
Estudos recentes mostram que, se usássemos, hoje, os mesmos materiais — calcário e granito maciço —, mas com caminhões, guindastes e serras diamantadas, levaríamos algo entre 5 e 7 anos para reproduzir a pirâmide [4].
Um estudo da Live Science estimou que, com 1.500 a 2.000 trabalhadores e um orçamento de cerca de 5 bilhões de dólares, o projeto poderia ser concluído em menos de uma década [5]. Outro cálculo, publicado pela How Stuff Works, chega a prazos semelhantes, com custos comparáveis a grandes represas ou arranha-céus modernos [6].
Pirâmides não são construídas hoje não por falta de capacidade técnica, mas porque perderam sua função. Para os antigos egípcios, elas tinham um papel essencial na manutenção da superestrutura social, econômica, religiosa e governamental da época — assunto que merece um texto à parte.
Portanto, a ideia de que levaríamos “mais de cem anos” com a tecnologia de hoje é completamente infundada.
Valorizando o engenho humano
Reconhecer a engenhosidade dos antigos egípcios não significa negar que a construção foi árdua e envolveu milhares de vidas. Significa, sim, dar o devido crédito a uma sociedade que dominava técnicas de logística, organização e engenharia há quatro milênios.
Desmerecer esse feito humano com teorias conspiratórias apenas apaga a verdadeira grandiosidade da obra: ela foi erguida por pessoas, com mãos calejadas e inteligência prática, não por seres de outro planeta.
Resumindo: tem nada de extraterrestres. Fomos nós, humanos!
Um alerta necessário
A existência de seres alienígenas, inteligentes ou não, é uma possibilidade. Mas, vivemos um momento em que vídeos, fotos e textos enganosos circulam em grande volume nas redes sociais, muitos com aberrações históricas, anacronismos e montagens de “extraterrestres” e supostas naves alienígenas “filmadas” por estações espaciais.
É preciso cautela: a ficção científica tem um papel importante ao despertar o interesse, em jovens, pela ciência, pela inovação e pela tecnologia. Porém, teorias conspiratórias que misturam fantasia com fatos reais atrapalham o entendimento histórico e científico.
Pais e professores têm papel essencial em ensinar crianças e jovens a distinguir conhecimento de qualidade de conteúdos fabricados apenas para gerar cliques e sensacionalismo. Pés no chão e pensamento crítico são indispensáveis.
*Everaldo Goes é jornalista, editor do Feira Hoje e graduado em Licenciatura em História
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27/07/25




