Pesquisa aponta falhas na formação em Psicologia para atendimento a pessoas surdas
Estudo desenvolvido na UFRB evidencia ausência de Libras e barreiras no acesso à saúde mental
Pesquisa acadêmica aponta que a formação em Psicologia no Brasil não prepara adequadamente os futuros profissionais para atender pessoas surdas. O tema é abordado no Trabalho de Conclusão de Curso da psicóloga Gabriela Coelho, egressa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que analisou a comunicação entre psicólogos e pacientes surdos no contexto clínico.
O estudo mostra que o ensino de Libras não é exigido nas grades curriculares da graduação em Psicologia, sendo ofertado, na maioria das vezes, apenas como disciplina optativa. Essa lacuna compromete o acesso da população surda ao atendimento psicológico, já que a comunicação é o principal instrumento de trabalho da área, segundo destaca a pesquisadora.
Acesso negado à saúde mental
Outro problema identificado é a dependência de intérpretes durante o atendimento terapêutico, o que altera a dinâmica da escuta clínica e traz desafios éticos, como o sigilo, além de dificultar a construção de vínculo. Para a professora Josineide Vieira Alves, conhecida como Jô Alves, orientadora da pesquisa, essa realidade representa a negação do direito à saúde mental da população surda.
Apesar de iniciativas pontuais, como componentes curriculares que discutem surdez e inclusão, a professora defende mudanças estruturais, com a obrigatoriedade do ensino de Libras nos cursos da área da saúde. Gabriela afirma que o contato com a temática durante a graduação foi decisivo e pretende aprofundar os estudos na língua para atuar como profissional bilíngue e contribuir para práticas mais acessíveis e inclusivas.
Feira Hoje, com informações da UFRB
10/12/25




