Beleza do Paço Municipal resiste ao tempo em Feira de Santana
Construção iniciada em 1921 é um dos últimos testemunhos da arquitetura eclética que marcou o início da urbanização feirense; completa 100 anos de inaugurada em 2026
Por Everaldo Goes*
Um patrimônio que atravessa gerações

Foto: Feira Hoje
O Paço Municipal Maria Quitéria, na esquina da Getúlio Vargas com a Senhor dos Passos, é um dos raros edifícios que ainda contam a história arquitetônica de Feira de Santana. Em uma cidade marcada pela demolição de seus antigos casarões para dar lugar a empreendimentos comerciais, o prédio da Prefeitura surge como um respiro de memória. Sua fachada clara, com janelas altas, ornamentos e formas arredondadas, contrasta com o ritmo acelerado do centro e lembra que a Feira já teve outra paisagem.
Arquitetura e história

Foto: Feira Hoje
Construído a partir de 1921, durante a gestão do intendente coronel Bernardino da Silva Bahia, o Paço teve projeto do engenheiro Acciolly Ferreira da Silva. Foi inaugurado em 1926, já sob o comando do intendente coronel Arnold Ferreira da Silva, e abrigou Intendência, Conselho, fórum, biblioteca e posto de higiene. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) em 2004, tornou-se uma das principais referências históricas da cidade.

Foto: ACM / Secom PMFS

Foto: Feira Hoje
O edifício é um exemplar do estilo eclético presente no início do século passado. Combina elementos clássicos nas colunas e pilastras com detalhes barrocos e influenciações neoclássicas, especialmente na curva suave da fachada que acompanha a esquina. À noite, a iluminação realça os relevos e destaca a riqueza de detalhes que, durante o dia, muitas vezes passa despercebida.
Interior preservado
Por dentro, o Paço Municipal guarda um Salão Nobre com paredes decoradas, medalhões e uma escadaria em “S” que liga os pavimentos. A galeria de ex-prefeitos, os tetos trabalhados e os elementos restaurados nas décadas seguintes reforçam o cuidado com o imóvel. Em contraste com inúmeros edifícios privados demolidos ao longo do tempo, o Paço permaneceu preservado e se tornou cartão-postal oficial da cidade.

Foto: Feira Hoje
Entre o passado e o futuro
Feira de Santana perdeu grande parte de sua memória arquitetônica: casarões que marcaram o início da urbanização desapareceram em nome da modernização. O Paço Municipal, entretanto, resiste. É a lembrança física de que a cidade pode crescer sem esquecer de onde veio. E é também um convite para refletir sobre o que ainda pode — e deve — ser preservado.
Fontes consultadas
– Prefeitura Municipal de Feira de Santana: histórico do Paço Municipal e dados de tombamento.
– Câmara Municipal de Feira de Santana: registros sobre o funcionamento da Intendência e do Conselho.
– Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac): informações do processo de tombamento (2004).
– Memorial da Feira: acervo fotográfico e referências sobre a arquitetura eclética da cidade.
– Publicações locais sobre história urbana e preservação arquitetônica de Feira de Santana.
*Everaldo Goes é graduado em Licenciatura em História, jornalista e editor do Feira Hoje
03/12/25
@feirahoje→www.instagram.com/feirahoje




