História 5 de novembro de 2025

Os 166 anos da visita de Dom Pedro II a Feira de Santana e o nascimento da Santa Casa de Misericórdia

Pesquisa de João Batista Cerqueira, presidente da Academia Feirense de Letras, relembra a passagem do imperador pela vila e a doação que deu origem ao Hospital Dom Pedro II

Um olhar sobre a história feirense

O médico e pesquisador João Batista Cerqueira, presidente da Academia Feirense de Letras, produziu um importante documento histórico que resgata a visita do imperador Dom Pedro II e Dona Tereza à então Vila de Feira de Sant’Anna, em 5 de novembro de 1859 — há exatos 166 anos.

Os 166 anos da visita de Dom Pedro II a Feira de Santana e o nascimento da Santa Casa de Misericórdia Pesquisa de João Batista Cerqueira, presidente da Academia Feirense de Letras, relembra a passagem do imperador pela vila e a doação que deu origem ao Hospital Dom Pedro II

A pesquisa, “A Fundação da Santa Casa de Misericórdia da Villa de Feira de Sant’Anna”, fundamentada em registros oficiais e publicada originalmente na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, narra os episódios que culminaram na fundação da Santa Casa de Misericórdia, marco de humanidade e civilização para a cidade.

De acordo com o estudo, Dom Pedro II chegou a Feira vindo de Cachoeira e permaneceu até o dia seguinte, acompanhado da imperatriz Teresa Cristina. Durante a visita, o monarca foi recebido por uma comissão liderada pelo juiz Luiz Antônio Pereira Franco, que apresentou o desejo da comunidade local de fundar um hospital para acolher os enfermos pobres. Sensibilizado, o imperador autorizou a criação da instituição e doou dois contos de réis para o início das obras — valor significativo à época.

O gesto que inspirou gerações

O documento mostra que o episódio foi decisivo para consolidar o movimento filantrópico que já se formava na vila. A Santa Casa de Misericórdia da Villa de Feira de Sant’Anna, fundada oficialmente em 25 de março de 1859, nasceu sob a inspiração cristã de servir ao próximo, oferecendo atendimento aos enfermos, sepultura digna aos desvalidos e assistência espiritual aos necessitados.

Os 166 anos da visita de Dom Pedro II a Feira de Santana e o nascimento da Santa Casa de MisericórdiaPesquisa de João Batista Cerqueira, presidente da Academia Feirense de Letras, relembra a passagem do imperador pela vila e a doação que deu origem ao Hospital Dom Pedro II

Luiz Antônio Franco

Com a chancela imperial, o sonho coletivo se transformou em realidade. O hospital foi batizado de Imperial Asilo de Enfermos D. Pedro II, tornando-se o primeiro centro de saúde e caridade da história feirense. A doação pessoal de Dom Pedro II, chamada na época de “óbolo do imperador”, simbolizou não apenas um gesto de benevolência, mas o reconhecimento da importância social e econômica da vila que crescia no coração da Bahia.

Entre a fé, a lei e a filantropia

A pesquisa de Cerqueira também detalha o processo de estruturação da Irmandade. Após a aprovação do Compromisso da Santa Casa pela Igreja e pelo Governo Provincial, os dirigentes receberam do Estado da Bahia a Fazenda Cerca de Pedras, terreno onde seriam instalados o cemitério e o hospital. O Termo de Instalação da instituição foi lavrado em 1º de novembro de 1864, e, poucos meses depois, em 25 de março de 1865, o hospital foi inaugurado, consolidando uma obra que unia fé, solidariedade e visão pública.

Esse mesmo local, hoje parte central da cidade, testemunha a origem da assistência social organizada em Feira de Santana. Ali se ergueu a capela, o cemitério e o hospital — símbolos materiais de uma comunidade que soube transformar devoção em serviço.

O imperador e o povo da feira

O texto histórico revela ainda detalhes da recepção ao casal imperial. A residência do coronel Pedreira de Cerqueira serviu como Paço Imperial, e a cidade se mobilizou para a chegada da comitiva, decorando ruas e preparando banquetes. Dom Pedro II, conforme relata seu Diário de Viagem ao Norte do Brasil, ficou impressionado com a vitalidade econômica e o espírito de hospitalidade do povo feirense. Sua passagem pela vila foi registrada como um dos momentos mais marcantes da visita imperial à Bahia.

A partir daquele encontro, Feira de Santana passou a ocupar lugar de destaque no mapa político e social do Império. O gesto de Dom Pedro II projetou a vila para além de seus limites geográficos, conectando-a a uma tradição nacional de filantropia e serviço público.

166 anos depois, um legado de humanidade

Passados mais de um século e meio, o gesto do imperador e o trabalho dos pioneiros permanecem vivos na memória da cidade. A Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana — que nasceu da fé, da solidariedade e da ação coletiva — continua sendo símbolo da vocação humanitária do povo feirense.

Como destaca João Batista Cerqueira, “a fundação da Santa Casa representa o elo entre o passado e o presente, unindo a história da cidade à sua identidade mais profunda: a de servir”. Celebrar esta data é, portanto, honrar as raízes de uma Feira de Santana solidária, corajosa e consciente de seu papel histórico.

Acesse o texto da pesquisa

Everaldo Goes / Feira Hoje

06/11/25

@feirahoje→www.instagra.com/feirahoje

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on RedditShare on LinkedInEmail this to someoneShare on Tumblr


Buscar

Ad
Ad

Impresso Especial

Ad