Política Internacional 11 de agosto de 2025

Ordem de Trump contra cartéis reacende temor de intervenção militar na América Latina

Decisão de acionar forças armadas contra grupos criminosos revive memórias amargas de décadas de ingerência dos Estados Unidos na região

O alerta é do The New York Times, em reportagem publicada nesse domingo (10). A recente ordem do presidente Donald Trump para que o Pentágono use força militar contra determinados cartéis de drogas na América Latina reacendeu receios de um retorno ao padrão de intervenções norte-americanas na região. A medida afeta especialmente México e Venezuela, onde alguns grupos já foram classificados pelo governo como organizações terroristas. Em diversos países, a notícia despertou desconfiança e reforçou o sentimento de que a soberania nacional precisa ser preservada diante de pressões externas.

A reação remete a um longo histórico de ingerências dos Estados Unidos, desde o século 19, quando a Doutrina Monroe foi usada para justificar ações militares, como a Guerra contra o México e a ocupação de territórios caribenhos e centro-americanos. Ao longo do século 20, episódios como o golpe de 1954 na Guatemala e as intervenções no Panamá, Cuba, Haiti e República Dominicana consolidaram a imagem de um país disposto a agir para proteger seus interesses, muitas vezes em detrimento da democracia local.

Durante a Guerra Fria, Washington apoiou golpes no Brasil, Chile e novamente na Guatemala, sob a justificativa de conter o avanço comunista. A invasão do Panamá em 1989, que derrubou Manuel Noriega, permanece como lembrança dolorosa para muitos e exemplo de como os EUA operaram em nações menores para garantir seus objetivos. A possibilidade de que algo semelhante ocorra em países maiores, como México ou Venezuela, representa uma ruptura com esse padrão e aumenta o risco de conflitos de maior escala.

Para alguns críticos de regimes autoritários, a ação de Trump é vista como oportunidade para remover líderes como Nicolás Maduro. Já para especialistas, a medida toca em um “nervo histórico” na América Latina, onde a defesa da soberania nacional e a rejeição a intervenções estrangeiras são valores arraigados. O temor é que, sob o pretexto de combater o crime organizado, os EUA repitam fórmulas do passado que resultaram em instabilidade, regimes alinhados a interesses externos e duradouro ressentimento contra Washington.

Fonte: The New York Times 

Feira Hoje, 11/08/25

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