Nos EUA, conservadores religiosos miram apostas, pornografia e casamento entre pessoas do mesmo sexo
O assunto é destaque na imprensa norte-americana. Na convenção anual da Southern Baptist Convention, realizada de 8 a 11 de junho em Dallas (TX), cerca de 10.000 delegados votaram, de forma esmagadora, por uma resolução que pede a reversão da decisão ‘Obergefell v. Hodges (2015)’, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. O texto exige que as leis reflitam o casamento “entre um homem e uma mulher” e defende que alterações legislativas sejam feitas para remover proteções ao casamento igualitário.
Essa postura faz parte de um pacote mais amplo de resoluções conservadoras. Além do casamento, os delegados votaram para proibir a pornografia, restringir apostas esportivas e promover políticas natalistas, criticando a “infecundidade voluntária” . Segundo fontes, houve apoio unânime aos temas, sem debate, ressaltando o desejo da denominação de afirmar “a ordem moral divina”, conforme afirmado por Andrew Walker, que liderou a elaboração da resolução.
O evento também foi marcado por tensão interna, após a morte de Jennifer Lyell, ex-executiva editorial e denunciante de um escândalo de abuso sexual dentro da convenção. Sua morte gerou críticas sobre a lentidão das reformas adotadas em 2022, como a criação de banco de dados para acusados de abuso, hoje governado por bancos públicos de registros e não pelo próprio SBC. A ausência de muitas vítimas e ativistas no encontro também foi notada pela imprensa.
Embora essa resolução seja formalmente não‑vinculante — não tem poder direto sobre as leis estaduais ou federais —, ela sinaliza a intenção política e cultural da maior denominação protestante dos EUA: pressionar por limites ao casamento igualitário e reforçar valores tradicionais. O documento é visto como mais um capítulo da influência conservadora no cenário jurídico e legislativo dos Estados Unidos.
Feira Hoje, 11/06/25




