Artigo / Por Everaldo Goes 18 de junho de 2025

Sem o Nordeste, o Sul não existiria

Uma resposta necessária aos preconceitos regionais

Em tempos de discursos carregados de discriminação e xenofobia contra o Nordeste, especialmente de minorias sulistas que menosprezam nossa gente, é preciso trazer fatos para desmontar esse preconceito barato.

A verdade é clara: sem o protagonismo dos nordestinos — baianos, pernambucanos, cearenses — o Sul do Brasil simplesmente não teria sido formado como o conhecemos hoje. Essa não é opinião ou provocação, mas constatação histórica amparada por estudos e registros.

O historiador Luiz Antônio Araujo afirmou com firmeza que “sem o protagonismo de indivíduos vindos do que depois se chamaria Nordeste, a existência das demais regiões não teria sido possível”. Ou seja, a contribuição do Nordeste foi estrutural — na demografia, na economia, na cultura — para que o Rio Grande do Sul, o Paraná e Santa Catarina existissem como territórios ocupados e organizados.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o baiano Domingos Alves Branco Muniz Barreto foi pioneiro na indústria do charque, base econômica do estado durante séculos. Esse ciclo de produção movimentou a economia local e nacional, sustentando a subsistência de milhares e marcando a cultura regional.

Além disso, nordestinos atuaram como tropeiros, militares, artesãos, religiosos e mão de obra escravizada em todo o Sul, ajudando a garantir a presença portuguesa em terras disputadas e a formar a identidade regional, que erroneamente se tenta apresentar como “exclusivamente europeia”.

No Paraná e Santa Catarina, embora a colonização tenha tido forte influência de imigrantes europeus, não se pode ignorar a participação nordestina, especialmente no trabalho escravo e na circulação de pessoas, que moldaram as bases sociais dessas regiões.

Mais ainda: sem essa ocupação fundamental dos nordestinos, é possível que nem os imigrantes italianos e alemães tivessem migrado para essas terras, ou que o território sulino tivesse sido ocupado por outros povos, possivelmente até sem a presença portuguesa.

O discurso que tenta minimizar o Nordeste e sua gente é, portanto, uma falsidade que deve ser combatida com conhecimento e respeito à história real do Brasil. Reconhecer a importância do Nordeste é reconhecer a verdadeira pluralidade e riqueza do nosso país, e combater toda forma de preconceito regional.

Um vídeo para cair na real:

Fontes

  • ARAUJO, Luiz Antônio. A presença nordestina na formação do Sul do Brasil. BBC News Brasil, 2020.
  • ALMEIDA, João Carlos. Charqueadas e a economia do Rio Grande do Sul. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2018.
  • SANTOS, Maria Helena. Migrações internas e o papel do Nordeste na colonização do Paraná. Revista Brasileira de História, 2016.
  • PEREIRA, Carlos. Presença afrodescendente no Sul do Brasil. Fundação Palmares, 2019.
  • Documentos históricos sobre bandeirantes e tropeiros nordestinos, Arquivo Nacional.

*Everaldo Goes é graduado em Licenciatura em História, jornalista e editor do Feira Hoje

18/06/25

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