Museu Casa do Sertão comemora 47 anos como guardião da memória sertaneja
Inauguração em 1978 foi prestigiada pelo prefeito Colbert Martins e pelo reitor Geraldo Leite
Acervo vivo da cultura do sertão baiano, espaço inaugurado em 1978 segue em atividade com ações educativas e socioculturais no campus da Uefs
O Museu Casa do Sertão, equipamento cultural da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), celebrou nesse 30 de junho 47 anos de existência. Inaugurado em 1978 com o propósito de preservar a memória da cultura popular sertaneja, o espaço segue vivo como um dos principais pontos de referência identitária do território baiano.

A solenidade de inauguração contou com a presença do prefeito Colbert Martins da Silva e do reitor Geraldo Leite (Imagem: Feira Hoje, 01/07/78 / Acervo Museu Casa do Sertāo)
Nesta data especial, o museu realiza atividades voltadas para a comunidade dos trabalhadores terceirizados da universidade, reafirmando seu papel como espaço de convivência, diálogo e fruição da memória.

“O Museu segue com o compromisso de articular memória, cultura e educação. É uma casa que preserva e recria o Sertão, especialmente para as novas gerações”, afirma o atual diretor do espaço, Cristiano Cardoso. Segundo ele, além de manter um acervo representativo da cultura sertaneja — como objetos do cotidiano, artefatos de couro, livros de cordel, obras de arte popular e arquivos bibliográficos —, o museu busca fomentar experiências de apropriação e ressignificação cultural.

Um sonho coletivo nascido nos anos 1970
A criação do Museu foi fruto da mobilização da sociedade feirense nos anos 1970, com protagonismo do Lions Clube de Feira de Santana, e contou com a atuação de nomes importantes como o professor Raimundo Gama, que também foi diretor do jornal Feira Hoje, e o jornalista Helder Alencar, editor do periódico e posteriormente procurador jurídico da Uefs, e do professor, jornalista e cordelista Franklin Maxado.

Miniaturas do artista plástico Édson Duarte
Na edição de 30 de junho de 1978, o Feira Hoje registrou a solenidade de inauguração, marcada pela presença de autoridades municipais, estaduais e representantes de entidades educacionais e culturais. O então reitor da Uefs, Geraldo Leite, emocionado, descreveu a Casa do Sertão como “um presente magnífico que aprimora os conhecimentos sobre a própria região”. Também estiveram presentes o prefeito Colbert Martins da Silva, o representante do Conselho Estadual de Educação, Hélio Simões, entre outras figuras públicas.

A programação inaugural incluiu uma exposição de fotografias sobre o sertão, reunindo trabalhos de Antonio Carlos Carvalho, Antonio Magalhães, Elydio Azevedo, Egberto Costa, Luciano Passos e Rosa Maria, e o lançamento do livro ‘Eurico Alves, Poeta Baiano’, do artista plástico feirense Juraci Dórea. O conselheiro de cultura Hélio Simões declarou, na ocasião, que o museu era a “concretização do sonho de Eurico”.
Preservar para não esquecer
A historiadora Cristiana Barbosa, que já dirigiu a Casa do Sertão, lembra que o Museu surgiu em um período de profundas transformações urbanas em Feira de Santana. “Nos anos 1970, havia o receio de que a cidade, com potencial para virar metrópole, esquecesse suas raízes de feira livre, vaqueiros e couro. O Museu surgiu como um antídoto contra o apagamento da identidade sertaneja”, explica.

Essa memória resiste no acervo e nas ações educativas realizadas ao longo dos anos. O espaço recebe visitas de escolas públicas e privadas, promovendo a interpretação crítica dos bens culturais, com foco na valorização do território e da ancestralidade regional.
A missão continua
Ao completar 47 anos, o Museu Casa do Sertão reafirma sua missão educativa, sociocultural e de pesquisa. Como instrumento de mediação entre a Universidade e a sociedade, o espaço se projeta para os desafios contemporâneos: conectar o passado ao presente, estimular novos olhares sobre a cultura sertaneja e promover inclusão por meio da arte, da memória e do conhecimento.

Nas palavras do diretor Cristiano Cardoso, “o Museu é um lugar-memória vivo, um laboratório para pensar o Sertão como espaço de resistência, criação e diálogo entre gerações”.
Fonte: Museu Casa do Sertāo
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01/07/25




