Casarão Fróes da Motta inspira maquete que resgata história e memória de Feira de Santana
Sob orientação do artista plástico e professor Vivaldo Lima, estudantes reconstroem em miniatura o Casarão Fróes da Motta, resgatando a memória arquitetônica e social

Casarão Fróes da Motta. (Imagem: arquivo Vivaldo Lima)
A fachada imponente do Casarão Fróes da Motta, um dos últimos remanescentes da elite rural que moldou Feira de Santana no início do século 20, voltou a ganhar vida — agora em escala reduzida, mas com precisão e beleza de impressionar. Estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unef, sob orientação do professor e artista plástico Vivaldo Lima, construíram uma maquete do imóvel como parte do projeto de conclusão de semestre. O trabalho integra uma exposição aberta ao público e em cartaz até o dia 30, no próprio casarão.

Imagem: ginasiosantanopolis.blogspot.com
Mais do que um exercício técnico, a construção da maquete foi uma jornada histórica, emocional e coletiva. O processo incluiu visitas ao Arquivo Público, pesquisa bibliográfica e fotográfica, além da imersão no contexto social e cultural da época. “É uma forma de oração que acalma e eleva a alma”, descreve Vivaldo Lima, que há anos se dedica, junto com seus alunos, a reproduzir em miniatura ícones da cidade — alguns deles já demolidos pela especulação imobiliária.
Memória que cabe na palma da mão
Casarões como o Fróes da Motta simbolizam uma época em que famílias influentes, ligadas à pecuária e ao coronelismo das “portas do Sertão”, erguiam suas moradias com o objetivo de exibir status, poder e pertencimento a uma elite em transição do campo para a cidade. Reproduzir esses espaços em maquetes é, segundo Vivaldo, uma forma de “recontar essa história com as mãos”, promovendo reflexão sobre o passado urbano de Feira de Santana.

Cine Íris
O projeto da maquete foi o ponto culminante de um semestre inteiro de experiências práticas. Os alunos simularam moradias em terrenos acidentados, criaram soluções urbanas sustentáveis com containers, testaram técnicas de paisagismo e interviram artisticamente em muros urbanos. Todo esse repertório foi aplicado na reprodução do casarão.
Patrimônio reinventado em miniatura
Além do Casarão Fróes da Mota, o grupo já produziu maquetes de outros imóveis históricos de Feira de Santana, como o Arquivo Público, situado na avenida
Senhor do Passos, e outros que não existem mais, como o Cine Íris, o Casarão da Praça (que abrigou a primeira prefeitura, a biblioteca, uma escola de datilografia e até a Filarmônica Euterpe Feirense). Essas obras fazem parte do acervo da Unef e, ocasionalmente, são levadas ao público em exposições.
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01/08/25




