Professora Lícia Soares de Souza é condecorada com l’Ordre des francophones d’Amérique
A professora e semióloga Lícia Soares de Souza foi agraciada com a medalha da Ordre des francophones d’Amérique (Ordem dos Francófonos das Américas), edição 2024, concedida pelo Ministério da Língua Francesa de Québec. A honraria reconhece personalidades que se destacam na promoção da língua francesa no continente americano. Lícia foi escolhida por sua ampla atuação nas Américas, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido ao longo de mais de três décadas em prol da francofonia e da cultura quebequense.
Professora Emérita da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), com vínculos ativos na UFBA e na Université du Québec à Montréal (UQAM), Lícia construiu uma carreira marcada pela articulação entre ensino, pesquisa e ativismo cultural. Idealizou projetos como Français pour le tourisme à Salvador e os Ateliers de langue française, além de desenvolver uma metodologia de francês instrumental voltada a estudantes de pós-graduação. Foi responsável por cursos pioneiros sobre estudos quebequenses no Brasil e estimulou diversas gerações de professores e alunos a aprofundarem os vínculos com a cultura francófona. Seu trabalho teve impacto direto na nacionalização e internacionalização da UNEB e da UFBA.
Em 2025, a relevância de sua trajetória foi consolidada com o lançamento da coletânea Signos em Transe – uma fortuna crítica sobre a semiótica de Lícia Soares de Souza, organizada pelo jurista e escritor baiano Taurino Araújo. Considerada por especialistas o maior levantamento etnográfico e semiológico realizado na Bahia nos últimos 50 anos, a obra reúne ensaios de autores como Winfried Nöth, Berthold Zilly, Eurídice Figueiredo, Zilá Bernd, Bernard Andrès, Emiliano José e Claire Varin. Os textos percorrem temas como semiótica, literatura, estudos canadenses, ensino de línguas, francofonia, geopoética e o ciclo canudiano a partir de Euclides da Cunha.
Autora de obras como Introdução às Teorias Semióticas (Vozes), Représentation et Idéologie (Balzac) e Figures spatiales de Montréal, Lícia também se destaca na poesia e na ficção. Em 2025, venceu o Prêmio Clarice Lispector com o romance distópico Quando as traças criaram asas. Sua trajetória, agora celebrada internacionalmente, reafirma o papel da intelectual brasileira na projeção da cultura quebequense no Brasil e na valorização da língua francesa na América Latina.
22/06/25




