Julieta Carteado, pioneira da Uefs, é celebrada em Memorial
Exposição celebrando os seis anos do Memorial homenageia a primeira diretora da Biblioteca Central e consolida sua memória como pioneira da universidade
A Biblioteca Central Julieta Carteado, principal do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), realiza o Memorial Julieta Carteado Monteiro Lopes no Hall de entrada. A exposição, comemorativa e permanente, relembra a trajetória da primeira diretora da Biblioteca Central e uma das figuras decisivas para a consolidação da Uefs.
A ação busca também apresentar aos novos estudantes e à comunidade de Feira de Santana o legado de Julieta, destacando seu compromisso com a Biblioteconomia, a arte e a representatividade feminina e negra. A iniciativa nasceu em 2019, quando a bibliotecária Maria do Carmo Sá Barreto
Ferreira propôs a criação do Memorial, contando com a dedicação do bolsista Paulo Fabrício dos Reis Silva, então graduando, que coordenou voluntariamente a montagem.
A história por trás do Memorial
O projeto resultou de meses de pesquisa, coleta de documentos e organização de acervo. Entre os destaques, estão relatórios sobre a necessidade de construção da Biblioteca Central, mobiliário original e uma fotografia em tamanho real de Julieta Carteado, mulher negra cuja elegância e competência são lembradas com admiração. O espaço ainda reproduz o gabinete ocupado por ela por mais de uma década, como forma simbólica de representar sua carreira e trajetória institucional.
A montagem envolveu o esforço coletivo da equipe da Biblioteca Central e contou com apoio do Museu Casa do Sertão, da Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e do Setor de Patrimônio da Uefs. Todo o processo foi finalizado em julho de 2019, antes do encerramento da gestão de Maria do Carmo na direção da biblioteca.
Julieta Carteado, exemplo e inspiração
Julieta Carteado nasceu em Ilhéus, em 1927, formou-se em biblioteconomia em 1967 e foi a primeira bibliotecária concursada da Uefs. Nomeada pelo reitor Geraldo Leite, exerceu a direção da Biblioteca por 12 anos e integrou os conselhos superiores da Instituição. Sua atuação ampliou o papel da biblioteca, unindo livros e artes, aproximando a comunidade e consolidando o espaço como referência cultural e acadêmica.
Além de bibliotecária, Julieta foi escritora, poeta, pintora, membro da Academia Feirense de Letras e fundadora da Associação Cristã Feminina de Feira de Santana.
Participou de exposições de arte e deixou um legado que extrapola o campo acadêmico. Seu falecimento, em 1994, interrompeu a escrita de um livro sobre os grandes amores da humanidade, mas não apagou sua memória.

Clemilda Santana dos Reis de Jesus (diretora do Sistema de Bibliotecas da Uefs), Fabrício e Maria do Carmo
Memória e legado vivo
O Memorial representa não apenas a preservação da memória institucional da Uefs, mas também um gesto de valorização da história de uma mulher negra que enfrentou preconceitos de gênero e raça em um
período marcado por desigualdades. Como resume Paulo Fabrício, hoje bibliotecário formado pela Ufba: “recuperar trajetórias notáveis como a de Julieta é um dever das novas gerações, para que não haja apagamento e para que histórias inspiradoras sigam alimentando a luta por identidade e reconhecimento”.
Na Uefs, Julieta Carteado é mais que um nome na fachada da Biblioteca Central. É presença, exemplo e inspiração. Seu Memorial reafirma o compromisso da Universidade com a memória, a diversidade e o respeito àqueles que ajudaram a construir sua história.
Everaldo Goes / Feira Hoje
Assista a imagens da exposição
02/09/25
Atualizada 03/09/25




