Publicitários feirenses já trouxeram Jimmy Cliff à cidade
Em fevereiro de 1991, Zé Coió e Paulo Norberto levaram o astro jamaicano ao Feira Show, numa das noites mais marcantes da música em Feira de Santana
A morte do superstar jamaicano Jimmy Cliff nesta segunda-feira (24), aos 81 anos, reacende a memória da passagem por Feira de Santana há quase trinta e cinco anos. Em 2 de fevereiro de 1991, o astro do reggae subiu ao palco da casa noturna Feira Show graças ao empenho dos publicitários José Carlos Pedreira, o Zé Coió, e Paulo Norberto, que conseguiram trazer à cidade um dos nomes mais influentes da música mundial.
Na época, o Feira Hoje (então pertencente ao Sistema Nordeste de Comunicação) registrou que Cliff levava uma vida simples, mesmo já conhecido como ícone do reggae. Hospedado em Salvador, circulava sem aparato de segurança, frequentando o Pelourinho, o Mercado Modelo e a orla marítima. Adepto da alimentação natural e de práticas de inspiração espiritual, fazia questão de um cardápio leve e saudável antes de cada apresentação.
O cardápio natural de Jimmy Cliff
Para o camarim do Feira Show, a equipe local preparou o que o jornal chamou de um pequeno banquete natural. Enquanto alguns músicos optavam por cerveja jamaicana e uísque, o astro pedia apenas sucos de frutas frescas — cerca de oito litros — além de iogurte, mel, nozes, saladas, água de coco, caldo de cana, pão integral e chás de ervas. O jamaicano não consumia bebida alcoólica e chegava ao palco movido exclusivamente pela energia da dieta e da música.
O Feira Hoje comparou o comportamento de Cliff ao de outros artistas internacionais, lembrando que ele era bem mais modesto do que estrelas como Prince, que no Rock in Rio II teria solicitado cem toalhas para o show. Cliff pediu apenas vinte. E mesmo com apresentações intensas, nem ele nem os músicos costumavam jantar depois dos espetáculos.

A articulação de Zé Coió e Paulo Norberto
O show no Feira Show foi resultado de um projeto iniciado ainda no ano anterior, quando os promotores tentaram trazer o jamaicano para o Joia da Princesa. A negociação não avançou, mas inspirou a criação do próprio Feira Show. Paulo Norberto sempre disse que, de forma transcendental, Jimmy Cliff foi o responsável indireto pelo surgimento do espaço. Para ele, a presença do artista no palco naquela noite selou a existência da casa de shows que marcou época em Feira de Santana.
Everaldo Goes / Feira Hoje
24/11/25
@feirahoje→www.instagram.com/feirahoje




