Imprensa italiana repercute prisão de Carla Zambelli em Roma
Cesare Battisti recordado como caso de extradição com apoio de Bolsonaro; não cabe exílio político à deputada por se tratar de crime comun
A imprensa italiana repercutiu com destaque a prisão da deputada brasileira Carla Zambelli, nessa terça-feira (29), em Roma. Condenada no Brasil a dez anos de prisão por contratar um hacker para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli havia fugido do país e ingressado na Itália com passaporte italiano.
Com o nome na lista vermelha da Interpol, foi localizada e detida no território italiano, conforme reportou a agência ANSA.
Operação discreta
Conforme a ANSA, a operação italiana ocorreu de forma discreta. Zambelli estava sendo monitorada desde sua entrada em junho do país, tendo suas contas bancárias e passaportes bloqueados em razão da condenação definitiva no Brasil. O Ministério da Justiça brasileiro confirmou que a ação seguiu o protocolo jurídico internacional, reforçando a cooperação jurídica entre Itália e Brasil.
Crime comum e sem proteção de exílio político
As reportagens da mídia italiana e análises jurídicas ressaltam que os crimes atribuídos a Zambelli — invasão de sistemas informáticos e falsidade ideológica — são tipificados como crimes comuns, não políticos, o que inviabilizaria uma defesa baseada em asilo ou exílio político.
A acusação não envolve motivação ideológica ou perseguição política, e sim fraude digital com danos a instituições pública. Além disso, a Constituição da Itália prevê a extradição de seus cidadãos quando os crimes não são políticos.
Contornos políticos e diplomáticos na Itália
Sectores da política italiana, como o deputado Angelo Bonelli (Europa Verde), já haviam solicitado formalmente ao governo a extradição da parlamentar, assim como eventuais revogações de sua cidadania italiana caso se comprovasse que essa foi usada para escapar da Justiça brasileira. A mídia, como La Repubblica e Corriere della Sera, trata o caso como um reflexo da postura da Justiça italiana em temas de cooperação internacional e segurança jurídica.
Lembrança histórica: o caso Battisti
Em paralelo, a imprensa italiana recorda o caso de Cesare Battisti — ex-membro dos Proletários Armados pelo Comunismo, condenado por quatro homicídios nos anos 1970 e extraditado à Itália em janeiro de 2019. Embora o decreto formal tenha sido assinado por Michel Temer, foi o então presidente eleito Jair Bolsonaro quem removeu a proteção política a Battisti e colaborou com sua entrega à Itália, gesto público elogiado por autoridades como Matteo Salvini.
O exemplo serve como um precedente simbólico para casos como o de Zambelli, na avaliação da imprensa italiana, reforçando o caráter político-diplomático dessas extraditações.
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30/07/25




