Artigo - Zadir Marques Porto 2 de novembro de 2025

A história dos campos de futebol de Feira de Santana e os ídolos que marcaram a cidade

Em mais uma de suas espetaculares crônicas, o experiente jornalista Zadir Marques Porto presenteia o leitor feirense com uma narrativa que revive tempos em que Feira de Santana respirava futebol. Os mais jovens talvez nem imaginem, mas craques do nível de Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Neymar — em suas épocas — atendiam por nomes como Heleno de Freitas, Zizinho e Didi, este último bicampeão mundial com a Seleção Brasileira.

Para os torcedores que acompanharam as várias gerações do futebol brasileiro, Zizinho, o Mestre Ziza, foi para o Flamengo o que Zico representou anos depois. E entre os nomes da casa, o saudoso Joel Magno, conhecido como radialista, também brilhou nos gramados. Feira de Santana, hoje carente de grandes times, já viveu dias em que o futebol era paixão de bairro, jogado em campos de areia que faziam a cidade vibrar

Leia o texto de Zadir Marques Porto:

A história dos campos de futebol de Feira de Santana e os ídolos que marcaram a cidade

O fabuloso Heleno de Freitas, correndo em um campo de areia, Zizinho, o ‘mestre Ziza’, Didi, o criador da ‘folha seca’, na falha grama ‘mata burro’ do antigo Almachio Boaventura. Tudo isso já aconteceu em Feira de Santana. Hoje, para ver craques desse nível — se é que ainda existem — só mesmo pela tevê. Então, vale a pena lembrar!

Com capacidade para 16 mil pessoas (a capacidade era maior e foi reduzida), o Estádio Alberto Sampaio de Oliveira (Joia da Princesa) é o palco oficial para jogos de

A história dos campos de futebol de Feira de Santana e os ídolos que marcaram a cidadeEm mais uma de suas espetaculares crônicas, o experiente jornalista Zadir Marques Porto presenteia o leitor feirense com uma narrativa que revive tempos em que Feira de Santana respirava futebol.

O supercraque Didi, bicampeão mundial pela Seleção, já jogou em Feira

futebol em Feira de Santana. Mas, até chegar a ele, a cidade princesa contou com inúmeros campos de areia (campos sem grama) e sem arquibancada, onde eram realizados jogos de futebol, inclusive do Campeonato Feirense – competição oficial -, e até amistosos com times profissionais visitantes.

Dentre os campos de futebol da era do amadorismo, ficaram na história do esporte o campo do Carrapicho, no Areal, o do Palmeiras, na Rua Castro Alves — onde hoje há um colégio — e, no início da mesma artéria, o campo da Usina (na verdade, eram dois campos, sendo que um deles o Fluminense passou a treinar quando ingressou no profissionalismo em 1954). Outro importante foi o campo Flávio Magalhães, na Rua Senador Quintino, que era fechado com uma cerca. O campo dos Casados, no local da Estação Rodoviária, também utilizado pelo Fluminense. O campo da Estação Nova, outro local de treino do tricolor, e que depois, já com a área reduzida, foi transformado no Estádio Gilson Porto, de pequeno porte.

Em verdade, foram tantos os campos de futebol na cidade que é mais lógico citar aqueles que, de certo modo, antecederam o Joia da Princesa, já no encaminhamento para a era do futebol profissional. Nesse segmento, está o Campo da Vitória, que ocupava a gleba onde está a Praça Jackson do Amauri ou Praça do Caminhoneiro (existe ali um monumento em homenagem ao caminhoneiro). O Campo da Vitória, que era fechado, surgiu na década de 1940, e o nome foi uma homenagem à vitória das Forças Aliadas, das quais nosso país fez parte com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), contra o nazi-fascismo na II Guerra Mundial.

O Campo da Vitória foi desativado na década de 1950, já que o traçado da Rodovia Rio-Bahia, vindo de Salvador, passaria por aquela área, como realmente ocorreu. No estádio da Vitória, em 1942, o Bahia de Feira, ‘o bicho-papão do interior’, o mais importante clube amador do interior do estado, enfrentou o Botafogo do Rio de Janeiro, perdendo por 4 a 2. O time carioca veio completo, trazendo até mesmo o famoso Heleno de Freitas, um dos maiores nomes do futebol brasileiro de todos os tempos.

A história dos campos de futebol de Feira de Santana e os ídolos que marcaram a cidadeEm mais uma de suas espetaculares crônicas, o experiente jornalista Zadir Marques Porto presenteia o leitor feirense com uma narrativa que revive tempos em que Feira de Santana respirava futebol

Heleno de Freitas

Mineiro de São João de Nepomuceno, Heleno, um galã irritadiço e brigão, de futebol clássico, foi ídolo no Botafogo, Seleção Brasileira, Boca Juniors e Vasco. Todavia, todo o seu destempero, brigas e confusões, tinha uma razão: ele sofria de sífilis de último grau, que lhe tomara todo o cérebro, e só no final da vida isso foi descoberto. Morreu em estado lamentável, ainda jovem, aos 39 anos. Nesse jogo de 1942, o Botafogo jogou com: Brandão, Borges e Granhabell, Darci, Santamaria e Sabino, Geraldino, Pascoal, Heleno de Freitas, Geninho e Pirica. O Bahia de Feira: Belmiro, Gregório e Alfredo, Simonidas, Ferreira e Justino, Gino, Renato, Mário Porto, Dino e Nelsinho.

Heleno de Freitas marcou duas vezes, Pirica e Pascoal para o Botafogo, Mário Porto e Renato para o Bahia. Em 23 de abril de 1953, foi inaugurado o Estádio Municipal Almachio Alves Boaventura, com a vitória do Bahia de Feira sobre o Galícia da capital por 2 a 0, gols de Mário Porto. O tricolor jogou com: China, Lipinho e Bueiro, Valter, Gervásio e Juvenal, Alegre, Mirinho, Mário Porto, Joel Magno e João Macedo. O estádio Almachio Boaventura recebeu várias equipes do futebol brasileiro, como o Internacional de Porto Alegre, que realizou uma excursão invicta no Brasil.

Em Salvador, o Internacional goleou o Bahia e o Vitória, mas aqui empatou com o Bahia de Feira em 1 a 1, graças ao árbitro que anulou um gol legítimo do Bahia. Do time gaúcho, vários atletas foram para a Seleção Brasileira. O Bangu do Rio de Janeiro, em 1957, trouxe o atacante Zizinho, o famoso Mestre Ziza, uma das lendas do futebol nacional. Verificou-se empate em 2 a 2 com o Fluminense, que já era profissional.

Depois veio o Botafogo com o fabuloso Didi, o criador da ‘folha seca’, que venceu o Fluminense por 1 a 0, gol de Wilson Moreira, filho do técnico Zezé Moreira. Na década de 1960, o prefeito Joselito Falcão de Amorim (1964/1967) construiu, no mesmo local, bairro do Sobradinho, o Estádio Municipal, que foi concluído com melhoramentos pelo seu sucessor na Prefeitura, João Durval Carneiro (1967/1971). Posteriormente, o estádio ganhou moderna iluminação na administração do prefeito Colbert Martins da Silva (1989/1992). Atualmente, os campos abertos que revelaram centenas de jogadores já não existem.

Em se tratando de praças esportivas públicas, além do Joia, há a Vila Olímpica, o Beira-Riacho, o Gilson Porto e o campo da Baraúna. Todavia, nenhum desses já recebeu craques como os antigos campos de peladas e provavelmente jamais receberá. No futebol altamente profissionalizado dos dias atuais, com estádios cobertos, luxuosamente edificados, a presença de ídolos como Heleno de Freitas, Zizinho, Didi e outros lendários, nem mesmo em sonho. Por isso mesmo, é importante relembrar a história dos extintos campos precursores do Joia da Princesa.

Zadir Marques Porto é jornalista, memorialista, músico e compositor

A coluna Feira em História é uma iniciativa da Secom/PMFS

02/11/25

@feirahoje→www.instagram.com/feirahoje

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