Quebrando o feitiço do desencanto do mundo: a realidade crua e nua do êxito da educação
Para Bia, André e Clara e quem mais ensina
Durante décadas a sociedade acreditou nas narrativas de desilusão e desencanto do mundo. Uma delas, pessimista e amedrontadora, nos fazia ver a falta de esperança na nossa sociedade, apontando
para o que seria o desprestígio e consequente impotência da profissão de professor. Os alunos, vistos como “delinquentes e rebeldes, não queriam nada”, os professores e professoras, “pobres coitados”, “falando sozinhos” nas salas de aula.
No entanto, os homens e mulheres que realmente se preocupam com o futuro da humanidade devem compreender que precisamos sair da bolha de enfeitiçamento do desencanto do mundo e que um dos primeiros passos é o confronto com a realidade nua e crua : nunca foi tão importante a profissão de professor(a) bastando para isso comprovar com números reais:
1. Milhares de escolas, cada vez mais em tempo integral e com boa infraestrutura, acolhem diariamente milhões de crianças e jovens;
2. Milhares de estudantes concluem o ensino médio a cada ano, em todas as regiões deste imenso Brasil;
3. Outros milhares de jovens concluem cursos técnicos profissionalizantes;
4. Milhares de outros e outras formam-se em cursos superiores em cada semestre, em centenas de universidades e faculdades espalhadas pelo país.
A cada resultado do ENEM fica evidente que as melhores notas, em Redação, vêm das escolas públicas e da região nordeste, em especial.
Como negar o êxito destes esforços empreendidos por professores e professoras? Como deixar de reconhecer que a juventude, em sua grande maioria, escuta as vozes sensatas de seus professores e professoras e, motivadas por seus familiares, são capazes de se orientarem para um futuro melhor?
Quando formos capazes de aprender a ler a realidade, tiraremos de nossas mentes e corações as falsas narrativas que nos levaram a ver ilusões que nos cegaram para a vida e então seremos capazes de reescrever narrativas de reencantamento da vida e de valorização do ato de ensinar.
Humberto Luiz Lima de Oliveira é doutor em Literatura comparada, professor aposentado da UEFS, pesquisador independente, Membro honorário da Academia Metropolitana de Letras e Artes de Feira de Santana, Membro efetivo da Academia de Cultura da Bahia, da Academia Feirense de Letras, da Academia Brasileira de Artes Integrais, da Academia internacional de Literatura Brasileira e do Rotary Clube Portal do Sertão.
Escritor e tradutor, é também editor da revista bilingue Cadernos do Sertão e colunista do Jornal Feira Hoje.
22/01/26
Siga
@feirahoje




