Nem na bola, nem no apito – o dia em que a FBF derrotou o Flu de Feira por “decreto”
Há 30 anos, no Campeonato Baiano de 1995, o Fluminense de Feira perdeu cinco pontos por decisão administrativa da FBF, foi eliminado e depois inocentado por unanimidade pelo STJD
Por Everaldo Goes / Feira Hoje
Um campeonato manchado
Agosto de 1995 marcou um dos episódios mais vergonhosos do futebol baiano. O Fluminense de Feira, que estava classificado para as semifinais do Campeonato Baiano, foi sumariamente eliminado após a Federação Bahiana de Futebol (FBF) retirar-lhe cinco pontos, já na reta final do torneio. No lugar, entrou nada menos que o Esporte Clube Bahia que estava eliminado em campo. Mas, a manobra pouco adiantou: o tricolor da capital não correspondeu e o título acabou nas mãos do Vitória.

Inconformado, o então superintendente de Futebol do Flu, Cláudio Boaventura, recorreu ao STJD e venceu
A acusação contra Zanata
O motivo alegado foi a suposta escalação irregular do zagueiro Zanata. A denúncia, na verdade, não passou de boato, e a FBF acatou de imediato, sem investigar devidamente. A decisão revoltou a torcida e a diretoria tricolor.
A reação em Feira de Santana
O superintendente Cláudio Boaventura, figura central da diretoria, levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), sediado no Rio de Janeiro. A FBF manteve o campeonato em andamento.
STJD faz justiça
No dia 4 de agosto, veio a resposta: por unanimidade, 10 votos a 0, o STJD decidiu que não havia qualquer irregularidade. O tribunal ainda determinou a realização de uma nova semifinal, com o Fluminense e sem o Bahia.
Vitória bate o pé
O presidente do Vitória, Paulo Carneiro, já com a taça em mãos, declarou que seu time não voltaria a campo. Sem força para enfrentar o poder rubro-negro, a FBF acabou costurando um acordo indenizatório com o Fluminense, para tristeza do principal ator do futebol, o torcedor, que quer ver, mesmo, é bola na rede.
Flu exige reparação
Em reportagem publicada pelo Feira Hoje em 5 de agosto de 1995, Cláudio Boaventura afirmou: “Não vamos abrir mão dos nossos direitos. A reparação passa pelo retorno às semifinais e também por uma indenização de R$ 400 mil”. O dirigente frisava que os prejuízos iam muito além das finanças, atingindo também a moral do clube e a confiança da torcida.
“Alma lavada”
Ao comentar a decisão do STJD, Boaventura disse estar com a “alma lavada”: “Provamos que o Fluminense sempre esteve correto. A diretoria jamais seria irresponsável de colocar à disposição do técnico um jogador irregular”.

A goleada do tapetão
O advogado Gabriel Capistrano, responsável pela defesa, comemorou a vitória categórica. O Feira Hoje estampou: “Fluminense goleia por 10 a 0 no STJD”. Mas, apesar da euforia, o campeonato seguia manchado.
A voz de Zanata
Pivô da polêmica, o zagueiro Zanata lamentou ter seu nome envolvido em algo tão negativo: “Sempre tive a certeza da minha situação regular. O Fluminense foi o único prejudicado nessa história toda”.
Três décadas depois
Apesar do triunfo jurídico, o Flu não voltou às semifinais. Ficou apenas com a promessa de reparação financeira. Trinta anos depois, a lembrança continua viva como uma ferida aberta — um episódio que mostra como, fora das quatro linhas, a bola pode ser vencida pelo peso das decisões de gabinete.
Imagens: Jornal Feira Hoje (acervo Museu Casa do Sertão – Uefs)
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@feirahoje
23/08/25
Republicado 10/12/25




