A Final da Copa Libertadores de 2025
O advogado Alexandre Freire analisa a final Flamengo x Palmeiras e relembra o processo de recuperação financeira do rubro-negro
Alexandre Freire*
A final da Copa Libertadores da América mais aguardada dos últimos anos foi disputada no sábado, 29 de novembro. Flamengo e Palmeiras buscavam uma façanha inédita, a conquista do quarto título do principal torneio sul-americano. Antes de tratar do jogo, cabe uma breve análise do contexto histórico e recente dos dois clubes.

Alexandre: além dos títulos, recuperação financeira para o rubro-negro
O Palmeiras havia derrotado o Flamengo por 2 a 1 na final de 2021, resultado marcado por uma falha decisiva de Andreas Pereira, à época jogador do rubro-negro e hoje defendendo o clube paulista. O gol do título, marcado na prorrogação, causou profunda frustração à torcida flamenguista após uma partida equilibrada.
Nas semanas que antecederam a decisão de 2025, o Palmeiras apresentava maior regularidade no Campeonato Brasileiro e despontava como favorito. O Flamengo, por outro lado, alternava grandes atuações com desempenhos abaixo do esperado, ainda assim disputando ponto a ponto a liderança da competição nacional.
Na Libertadores, a campanha palmeirense foi mais confortável até a semifinal, quando sofreu goleada por 3 a 0 da LDU, em Quito, mas reverteu o placar em São Paulo com uma vitória por quatro gols de diferença. O Flamengo começou mal o torneio, classificou-se em segundo em seu grupo, mas evoluiu gradualmente e cresceu na fase decisiva.
No Brasileirão, o rubro-negro assumiu a liderança, ultrapassou o Palmeiras e chegou à final continental como favorito, invertendo o cenário inicialmente projetado.
A final em Lima
Do ponto de vista técnico, a decisão ficou aquém das expectativas. Em finais únicas, o peso do nervosismo e o medo de perder costumam comprometer a qualidade do jogo. Desde o início, o Flamengo adotou postura ofensiva, marcando alto e valorizando a posse de bola, mas teve dificuldades para transformar a superioridade em chances claras.
O Palmeiras, comandado por Abel Ferreira, apostou em um modelo defensivo, com três zagueiros e meias mais recuados, buscando contra-ataques. A estratégia não funcionou. O time paulista não finalizou nenhuma vez em direção ao gol defendido por Rossi, fato inédito em sessenta e seis edições da Libertadores.
Houve reclamações sobre a não expulsão de
Erick Pulgar, do Flamengo, aos trinta e um minutos do primeiro tempo. No entanto, essas críticas ignoram lance anterior em que Raphael Veiga atingiu violentamente Jorge Carrascal, também punido apenas com cartão amarelo. O árbitro argentino Darío Herrera manteve critério semelhante nas duas situações, ainda que ambos pudessem resultar em expulsão.
Antes do intervalo, Bruno Henrique desperdiçou boas oportunidades para o Flamengo. O Palmeiras equilibrou o jogo apenas nos quinze minutos finais da primeira etapa, beneficiado por uma queda de ritmo após um desentendimento entre jogadores.
No segundo tempo, o Flamengo manteve a superioridade. Arrascaeta quase marcou após falha de Murilo, salvo por Gustavo Gómez, até que, aos vinte e um minutos, cobrou escanteio com precisão para Danilo abrir o placar.
Com a desvantagem, o Palmeiras se lançou de forma desorganizada ao ataque. As substituições de Abel Ferreira pouco contribuíram, e a estratégia de avançar Gustavo Gómez revelou desespero. O Flamengo recuou, passou a explorar contra-ataques e quase ampliou com Éverton Cebolinha, que acertou a trave em cobrança de falta.
O apito final confirmou uma vitória justa. O Flamengo foi mais ousado, organizado e determinado.
A euforia da torcida aumentou dias depois, com a conquista do título brasileiro, coroando um processo de recuperação financeira e reestruturação iniciado em 2013. Com previsão de faturamento de dois bilhões de reais em 2025, o futuro do clube se apresenta promissor.
*Alexandre Freire é advogado e cronista desportivo
07/12/25
@feirahoje→www.instagram.com/feirahoje




