Feira no radar da BYD
A aproximação entre o prefeito e o governador pode ter menos de política e mais de economia — e, quando a urna chegar, cada um seguirá o próprio caminho
A reunião realizada nessa terça-feira (14), em Salvador, entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, membros do Governo da Bahia e representantes da BYD, reforça um movimento que vem se desenhando há meses: a aproximação entre duas lideranças de campos políticos distintos, mas que parecem encontrar um ponto de convergência nos interesses econômicos.
Com isso, pode-se afirmar que a relação entre José Ronaldo e Jerônimo Rodrigues tem finalidade que vai além da política. O diálogo entre ambos aponta para uma agenda de desenvolvimento que coloca Feira de Santana no centro das atenções de empresas multinacionais, especialmente as que buscam expansão no interior do estado.
Feira no mapa da expansão
A BYD, empresa chinesa líder mundial em veículos elétricos e energia limpa, já é realidade em Camaçari. Agora, discute novas possibilidades de investimentos na Bahia, e Feira de Santana surge como uma das cidades mais cotadas pela sua posição estratégica, infraestrutura e vocação logística.

Uma primeira reunião já havia sido realizada, em Feira (Foto: ACM/Secom PMFS)
Participaram do encontro o CEO da BYD no Brasil, Tyler Li, e o diretor de novos negócios da companhia, Alexandre Liu. O prefeito José Ronaldo destacou o potencial do município e defendeu que Feira seja incluída nos planos de expansão da empresa, argumentando que o entroncamento rodoviário e o polo educacional local oferecem condições ideais para o avanço industrial.
Interesses que se cruzam
Em 30 de outubro, José Ronaldo e representantes da BYD já haviam conversado numa primeira reunião, realizada em Feira de Santana.
A reunião de Salvador reforçou o compromisso da empresa com o plano de pesquisa e desenvolvimento já firmado com a Bahia. Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, o objetivo é ampliar as oportunidades de geração de emprego e renda, fortalecendo a interiorização dos investimentos.
Para Feira de Santana, a eventual chegada da BYD significaria não apenas a criação de postos de trabalho diretos e indiretos, mas também o fortalecimento de cadeias produtivas locais e a atração de novas empresas fornecedoras de tecnologia e serviços.
Economia em primeiro plano
Em meio às especulações políticas, o que se destaca é o pragmatismo econômico. O prefeito e o governador sabem que a cooperação entre município e estado é essencial para garantir novos investimentos. É possível que, no campo eleitoral, cada um siga o próprio caminho — mas, no campo econômico, há convergência de propósitos.
A disputa política pode esperar. Feira de Santana, por sua posição e potencial, não pode.
Everaldo Goes é editor do Feira Hoje
15/10/25




