Feira em Memória 10 de fevereiro de 2026

Conversa sobre fachadas revela o risco invisível ao patrimônio do município

Artista plástico Vivaldo Lima sugere estudo técnico para mapear registros históricos antes que prédios antigos desapareçam

Uma reflexão publicada pelo jornalista Jânio Rêgo, no Blog da Feira, sobre desenhos presentes em fachadas de prédios antigos de Feira de Santana, provocou um diálogo relevante sobre patrimônio, memória e preservação urbana. A observação do jornalista gerou reação do artista plástico e professor universitário Vivaldo Lima, que fez um alerta direto sobre o risco de subestimar esses elementos em uma cidade marcada por histórico de demolições e descaracterizações.

Conversa sobre fachadas revela o risco invisível ao patrimônio de Feira Artista plástico Vivaldo Lima sugere estudo técnico para mapear registros históricos antes que prédios antigos desapareçam

Artista plástico Vivaldo Lima

Vivaldo repreendeu o jornalista ao lembrar que, quando se afirma que determinados detalhes arquitetônicos “não têm significados profundos”, abre-se caminho para que a eliminação de imóveis históricos pareça algo aceitável. “Se você diz que estes desenhos não têm relevância, fica mais fácil de eliminar o prédio”, advertiu, destacando que Feira de Santana conhece bem o espírito predatório que costuma tratar o passado como obstáculo.

Erro que ensina

O episódio, no entanto, revela também uma das qualidades do próprio Jânio Rêgo, um jornalista das antigas, com atuação em diversos estados, mas com forte trajetória em Feira de Santana . Mesmo quando erra, erra com honestidade e com estilo, o que permite que a crítica se transforme em debate público, e não em simples polêmica. Ao trazer o tema para o centro da conversa, ele acabou abrindo espaço para uma reflexão que a cidade frequentemente evita.

No diálogo, Vivaldo Lima citou experiências acadêmicas em Salvador, onde estudou tipologia arquitetônica e foi incentivado a identificar elementos do Art Nouveau e do Art Déco em fachadas e tipografias urbanas. Ele disse ter ficado impressionado com a quantidade desses registros na Rua Chile e em áreas próximas, lembrando ainda que obras emblemáticas como o Elevador Lacerda e o Cristo Redentor são associadas ao Art Déco.

Alerta

Ao final, o artista sugeriu que a Prefeitura ou universidades sediadas em Feira realizem um estudo acurado sobre esses elementos, criando um levantamento técnico capaz de orientar políticas de preservação.

Em uma cidade predominantemente comercial, que destrói seu patrimônio sem dó e com pressa, a conversa serve como alerta e também como lição. A memória urbana está nos detalhes, e quando a cidade não reconhece seus símbolos, ela acaba apagando a própria história.

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@feirahoje

10/02/26

 

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