História e Cultura 9 de julho de 2025

Micareta já passou, mas a história segue em cartaz no Museu Casa do Sertão

Mostra reúne fotografias, cartazes, vídeos e fantasias que ajudam a contar a trajetória da festa popular ao longo das décadas

O Museu Casa do Sertão, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), apresenta a exposição ‘Registros Visuais da Micareta de Feira de Santana’. A mostra reúne um conjunto significativo de materiais visuais e documentais que traçam um panorama histórico da folia feirense, destacando a diversidade de manifestações culturais que compõem a festa.

Mortalha do bloco UCA, que reinou e conquistou o primeiro lugar nos anos 70 e 80

Instalada no rol de entrada do museu, a ocupação inclui reproduções fotográficas em preto e branco da coleção particular do artista plástico e carnavalesco Charles Albert (in memoriam), que registram momentos marcantes da Micareta em diferentes épocas. Além disso, estão expostos cartazes publicitários que compõem um acervo doado pelo pesquisador Carlos Melo. Esses impressos, com estilos gráficos variados, revelam não apenas as escolhas estéticas de cada período, mas também os contextos sociais e políticos da época.

Cartaz de autoria do artista plástico feirense Vivaldo Lima

Entre os destaques da exposição estão os cartazes das edições intituladas ‘Micareta Cara Pintada’, referência ao movimento pelo impeachment do presidente Collor no início dos anos 1990, e ‘Micareta da Copa’, que dialoga com o entusiasmo do país em períodos de competição mundial de futebol. Também chamam atenção os cartazes criados por artistas locais, como Juraci Dórea — homenageado da Micareta 2025 —, autor das peças do Baile do Clube de Campo Cajueiro em 1975 e 1978, além de obras de Vivaldo Lima (1980) e Carlo Barbosa (1974, in memoriam).

Batucada ‘Embaixada Mexicana ‘. 1947 (Arquivo Joilson dos Santos)

A exposição contempla ainda vídeos que evocam a atmosfera dos bailes e das ruas, notícias de jornais antigos, como uma edição da Folha do Norte de janeiro de 1937, e fantasias usadas por foliões em blocos tradicionais, como o UCA (1985) e o Bloco Armação, com peças cedidas por Paulo Sérgio Figueiredo Barbosa.

“Mais do que uma homenagem à festa, esta exposição revela o valor dos acervos documentais e iconográficos como fonte de pesquisa e preservação da memória cultural de Feira de Santana”, disse Cristiano Cardoso, diretor do Museu Casa do Sertão.

A mostra oferece ao público uma oportunidade única de conhecer ou revisitar a trajetória da Micareta — desde os desfiles, passeatas e batucadas até os carros alegóricos e blocos — e reforça o papel do museu como guardião das expressões populares da cidade.

09/07/25

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