Comunidade luta pela implantação da Universidade Federal de Feira de Santana
A mobilização pela criação da Universidade Federal de Feira de Santana ganhou novo fôlego com o apoio de lideranças políticas, professores e representantes da sociedade civil. O debate foi reacendido nessa sexta-feira (4), em evento no campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), localizado no município, hoje vista como uma espécie de embrião da futura universidade.
A ideia, discutida há anos, ganhou reforço com o compromisso de parlamentares e com a promessa de doação de terreno por educadores que acreditam no projeto.
Para o diretor Jacason Machado, do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (Cetens), que funciona em Feira de Santana, a implantação de uma universidade federal não se resume à criação de cursos ou à ampliação da oferta educacional. Trata-se de uma ação estratégica que pode transformar a realidade socioeconômica de toda a região.
Ele lembra que cada milhão de reais investido em uma instituição federal retorna à economia em forma de empregos e desenvolvimento. A proposta, segundo ele, não é apenas acadêmica, mas com foco na inclusão, sustentabilidade e interiorização do ensino superior.
O vereador Silvio Dias defende que a universidade atenderia uma vasta região carente de instituições federais, ampliando o acesso de jovens pobres, negros e moradores da zona rural à ciência e à formação profissional. Já o vereador Pedro Américo destaca os impactos estruturais que a universidade traria: formação de mão de obra qualificada, combate a problemas sociais crônicos e estímulo à inovação tecnológica e à pesquisa. Para ele, a universidade precisa refletir as identidades e os desafios locais, com um modelo de desenvolvimento centrado nas pessoas.
Com mais de 1.200 alunos, o Cetens completa dez anos de atividades em Feira de Santana e reúne características que o credenciam como base para a nova universidade. Possui cursos multidisciplinares, perfil estudantil majoritariamente negro e periférico, e projetos voltados à economia solidária e ao meio ambiente. Professores e ex-diretores apontam a necessidade de ampliar a infraestrutura, como restaurante universitário e residência estudantil, para consolidar o papel estratégico da instituição.
Feira Hoje, 05/07/25




