Inclusão no trabalho ainda é desafio para pessoas com deficiência e neurodivergência
Oito em cada dez profissionais com deficiência ou neurodivergência avaliam que as empresas brasileiras estão despreparadas para recebê-los. O dado vem da pesquisa “Radar da Inclusão”, realizada por ONU, Talento Incluir, Instituto Locomotiva e iO Diversidade. O estudo ouviu 1.230 pessoas em 2024 e mostrou ainda que 71% preferem modelos de trabalho remoto ou híbrido, mas apenas 58% já contam com essa possibilidade.
Mais de um terço dos entrevistados afirma que seus locais de trabalho não são devidamente adaptados. Muitos relatam falta de estrutura básica e barreiras que dificultam a permanência e o desenvolvimento profissional. Um cadeirante, por exemplo, foi dispensado após ser aprovado para uma vaga porque sua cadeira de rodas não passava na porta do banheiro. Casos assim revelam que, apesar de leis e cotas desde 1991, a inclusão plena segue distante.
A especialista Lia Calder destaca que a maioria das pessoas com deficiência permanece em cargos de base por décadas, sem oportunidades reais de ascensão. Para ela, há uma naturalização preocupante da exclusão: a sociedade ainda considera “normal” que ambientes não sejam acessíveis ou que a comunicação e a convivência sejam limitadas. Essa mentalidade impede mudanças estruturais.
Segundo o IBGE, apenas 26,6% das pessoas com deficiência estão empregadas, contra 60,7% da população sem deficiência. Entre as empregadas, 55% estão na informalidade e ganham, em média, 30% menos. Esses números mostram que, além das leis, o país precisa de um compromisso real com acessibilidade, respeito e desenvolvimento humano dentro das organizações.
Feira Hoje, com informações da Agência Brasil
25/05/25




