Quase a metade das cidades do interior da Bahia está sem agência bancária
Quem paga essa conta é a população. Não há atendimento humano, pessoal, de apoio; o resultado é a exclusão
Quase metade dos municípios da Bahia está sem agência bancária. São 199 cidades desassistidas (47,7%), segundo levantamento do Sindicato dos Bancários da Bahia com base em dados do Banco Central. Isso significa que milhares de baianos e baianas estão sendo excluídos do acesso direto a um direito básico: o atendimento bancário presencial.
No município de Rio do Pires, no centro-sul baiano, o anúncio do fechamento da única agência do Bradesco provocou protestos e mobilização da comunidade. A cidade, como tantas outras, pode entrar para a lista de municípios onde os moradores precisam viajar dezenas de quilômetros para sacar dinheiro, desbloquear um cartão ou resolver problemas simples que os canais digitais ainda não solucionam completamente.
A justificativa apresentada pelos bancos é a digitalização dos serviços. De fato, os aplicativos facilitaram a vida de muita gente. Mas a pergunta é: a tecnologia dispensa, de fato, a existência das agências físicas sem causar prejuízos? A resposta parece clara quando se olha para o interior da Bahia: não.
Entre 2020 e maio de 2025, 134 agências bancárias foram fechadas no estado, uma média de quase uma unidade encerrada a cada quinze dias. Só o Bradesco foi responsável por 64 dessas baixas e hoje mantém 178 agências em toda a Bahia — um número que segue encolhendo. As consequências desse encolhimento são profundas: afetam aposentados, pequenos comerciantes, produtores rurais, servidores públicos e toda uma cadeia que movimenta a economia local.
Quem mais perde com isso é a população que vive fora dos grandes centros urbanos. Não há atendimento humano, pessoal, de apoio. O resultado é a exclusão.
O Sindicato dos Bancários da Bahia tem buscado articulação com o Procon e o Ministério Público, com base em decisões como a do Maranhão, onde a Justiça suspendeu o fechamento de agências do Bradesco em 16 cidades após ação do Procon local. A mobilização em Rio do Pires, com protesto e audiência pública, é um exemplo de resistência e de luta por um serviço essencial.
O fechamento de agências não é apenas um problema bancário. É um problema social. Está em jogo a cidadania de milhares de pessoas, que têm o direito de acessar serviços financeiros com dignidade.
Com informações da Federação dos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe (Feeb)
18/06/25




