Saúde Pública 1 de julho de 2025

Casos graves de síndromes respiratórias dobram no Brasil antes do inverno

O Brasil registrou aumento expressivo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre maio e junho, mesmo antes da chegada oficial do inverno. Segundo o boletim Infogripe da Fiocruz, já são mais de 103 mil notificações em 2025, o dobro em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados dizem respeito apenas a infecções graves que exigem hospitalização, obrigatoriamente notificadas por unidades de saúde públicas e privadas.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Infogripe, explica que o surto atual é causado, principalmente, pelos vírus da influenza e pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O primeiro atinge mais adultos e idosos, enquanto o segundo é mais comum em crianças pequenas. Embora o aumento desses casos seja esperado nos meses frios e secos, a alta taxa de hospitalizações tem preocupado especialistas.

Ainda sem uma explicação única, o cenário é atribuído à combinação de fatores como o clima, a circulação de múltiplos patógenos e a cobertura vacinal. Tatiana destaca a importância da vigilância epidemiológica como ferramenta para antecipar surtos e orientar políticas públicas. Até o momento, mais de 5,6 mil mortes por SRAG foram registradas em 2025 — a maioria causada por influenza e Covid-19. Embora a Covid represente menos de 2% dos casos, ela responde por cerca de 30% dos óbitos.

Diante desse quadro, a recomendação é retomar medidas já conhecidas: isolamento de sintomáticos, uso de máscara em locais fechados ou de aglomeração, e atualização da vacinação. “A criança pode transmitir na escola e levar o vírus para casa, infectando pessoas mais vulneráveis”, alerta Tatiana.

A alta circulação de vírus respiratórios também preocupa outros países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já emitiu alertas para o Hemisfério Sul e Norte desde o início do ano. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou um reforço de R$ 50 milhões para o custeio de internações, além dos R$ 100 milhões já liberados. A vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir casos graves.

Feira Hoje, com informações Fiocruz 

01/07/25

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