Saúde 26 de maio de 2025

Casos de Influenza A e VSR avançam no Nordeste e preocupam autoridades de saúde

A nova edição do Boletim InfoGripe, divulgado quinta-feira (23/5) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chama atenção para o crescimento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelos vírus influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em vários estados do Nordeste. A análise, referente à Semana Epidemiológica 20 (11 a 17 de maio), indica que a região está entre as mais afetadas, ao lado do Centro-Sul e de parte da região Norte.

Estados como Bahia, Ceará, Maranhão e Pernambuco já apresentam níveis de incidência moderado a muito alto, com tendência de crescimento nos casos de SRAG. O avanço do VSR preocupa especialmente pelo impacto em crianças pequenas, sendo responsável por um número significativo de hospitalizações entre menores de quatro anos e óbitos em crianças de até dois anos de idade.

Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é fundamental reforçar a vacinação. “Todas as faixas etárias podem se beneficiar da vacina contra a gripe. Quem não faz parte dos grupos prioritários deve ficar atento: em muitos municípios, a imunização já foi estendida para toda a população a partir dos 6 meses de idade”, orienta. Ela também recomenda o uso de máscaras em ambientes fechados e unidades de saúde, além de cuidados com a etiqueta respiratória, como cobrir o nariz e a boca ao tossir.

Capitais nordestinas em alerta

Entre as capitais com nível de alerta ou alto risco para SRAG e tendência de crescimento, destacam-se:

  • Salvador (Bahia)
  • Recife (Pernambuco)
  • Natal (Rio Grande do Norte)
  • João Pessoa (Paraíba)
  • Aracaju (Sergipe)

Essas cidades estão entre as 16 capitais brasileiras que, nas últimas duas semanas, apresentaram aumento significativo nos casos de SRAG.

Vírus respiratórios e mortalidade

Os dados nacionais mostram que a influenza A é hoje a principal causa de morte por SRAG em idosos, além de estar entre as três mais letais para crianças. Já o VSR continua como o vírus mais frequente entre os casos de SRAG, com 53,6% de prevalência nas últimas quatro semanas. No Nordeste, onde o acesso à saúde e a cobertura vacinal ainda enfrentam desafios, os efeitos desses vírus podem ser ainda mais graves.

Em relação aos óbitos por SRAG nas últimas semanas, a presença dos vírus entre os casos positivos foi a seguinte:

  • Influenza A: 69,7%
  • VSR: 13%
  • Rinovírus: 9%
  • Sars-CoV-2 (Covid-19): 8,1%
  • Influenza B: 1,3%

Medidas de prevenção

Com a chegada dos meses mais frios e úmidos em várias regiões do Nordeste, a tendência é que os casos continuem aumentando se não forem adotadas medidas de prevenção e controle. Especialistas reforçam que a vacinação contra a gripe, o uso de máscaras em ambientes fechados, e o cuidado com sintomas gripais devem ser tratados com prioridade, principalmente em famílias com crianças pequenas ou idosos.

A Fiocruz continuará monitorando a situação e atualizando os dados semanalmente. Enquanto isso, o alerta fica para a população nordestina: a prevenção é a melhor forma de enfrentar o avanço dos vírus respiratórios.

Feira Hoje, 26/05/25

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