Brasil precisa de nova estratégia industrial para enfrentar impactos do tarifaço dos EUA
Dieese aponta que concentração das exportações em commodities fragiliza o país diante de crises externas e defende medidas para fortalecer a produção nacional; documento divulgado cita “neoindustrialização”
A atual concentração das exportações brasileiras em commodities — produtos primários como minérios, combustíveis, carnes e grãos — tem limitado a capacidade de reação do país diante das recentes medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. A avaliação é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que vê na situação um sinal de alerta para a soberania produtiva nacional.
Dependência de insumos importados agrava vulnerabilidade
Segundo o estudo, a pauta exportadora brasileira, mesmo quando inclui itens mais sofisticados como aeronaves e máquinas, ainda depende fortemente de insumos importados, muitos deles dos próprios norte-americanos. Isso reduz o valor agregado nacional dos produtos exportados e reforça a dependência de mercados externos, em especial dos Estados Unidos, que recebem cerca de 12% das exportações brasileiras.
Dieese propõe reindustrialização e fortalecimento de alianças
Para o Dieese, o momento exige uma estratégia nacional de neoindustrialização. Entre os caminhos sugeridos estão: diversificar os mercados de exportação e importação, estimular a produção interna — inclusive com parcerias com capital estrangeiro —, e fortalecer alianças econômicas como os Brics e o Mercosul, em busca de alternativas comerciais mais equilibradas.
Reduzir vulnerabilidade e priorizar mercado interno
O estudo também propõe reorientar a produção para atender o mercado interno, além de utilizar instrumentos de crédito, política fiscal e estatais como motores de uma transição produtiva. A ideia é reduzir a vulnerabilidade externa e construir uma base produtiva mais sólida, capaz de enfrentar oscilações geopolíticas como a atual tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Tarifas de Trump reacendem alerta sobre dependência
A recomendação ocorre em meio à imposição de tarifas de até 50% pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros, com impacto direto em setores estratégicos como aço, alumínio e automóveis. A medida, que faz parte de uma postura protecionista adotada no segundo mandato de Donald Trump, reacendeu incertezas no comércio global e provocou reações diplomáticas do governo brasileiro.
Novo modelo de desenvolvimento é prioridade, aponta documento
Diante da complexidade do cenário, o Dieese sustenta que o país deve aproveitar o momento não apenas para reagir, mas para repensar seu modelo de desenvolvimento, com foco em soberania econômica, inovação tecnológica e geração de empregos de qualidade.
Acesse o documento publicado pelo Dieese
Everaldo Goes / Feira Hoje
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05/07/25




