Atlas da Violência: educação é escudo contra homicídios de jovens
Quase 60 mil pessoas foram vítimas de homicídios, no Brasil, em 2014, principalmente, homens jovens entre 15 e 29 anos, revela o Atlas da Violência 2016, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O índice equivale a uma taxa de 29,1 homicídios por 100 mil habitantes, o maior número já registrado no país. “Trata-se de uma situação gravíssima, ainda mais quando notamos que mais de 10% dos homicídios do mundo acontecem em solo nacional”, expressa o texto do informe.
Os dados apontam que o pico de homicídios para os homens, sobretudo aqueles com baixa escolaridade, ocorre aos 21 anos de idade. “O indivíduo com até sete anos de estudo possui 10,9 vezes mais chances de ser assassinado, no Brasil, do que outro indivíduo com o nível superior, mostrando que a educação é um escudo contra os homicídios”, analisa o estudo.

As consequências sociais e econômicas dessa situação serão sentidas ainda em longo prazo, inclusive, com uma redução na proporção de jovens na população brasileira a partir de 2023. “No Brasil, a morte violenta de jovens cresce em marcha acelerada desde os anos 1980. (…). Essa dinâmica demográfica implicará dificuldades das gerações futuras em vários planos, incluindo o mercado de trabalho, Previdência Social e o necessário aumento da produtividade”, explica.
Chama a atenção ainda o fato da taxa de homicídios de negros ter aumentado 18,2% entre 2004 e 2014, enquanto que este mesmo índice, observado em não negros, mostra uma diminuição de 14,6%. “Com isso, observou-se um acirramento da diferença de letalidade entre negros e não negros, na última década”, observa o documento. Analisando os homicídios de mulheres, o estudo revela que as maiores taxas de letalidade feminina estão nos Estados de Roraima, Goiás e Alagoas.
“Uma das questões cruciais que contribuem diretamente para o aumento dos homicídios no país é a difusão das armas de fogo. Em 2014, 44.861 pessoas sofreram homicídio em decorrência do uso de arma de fogo, o que correspondeu a 76,1% do total de homicídios ocorridos no país”, explica o Atlas. De acordo com o estudo, apesar da Lei do Estatuto do Desarmamento ter ajudado a salvar vidas, ela não foi efetiva em todas as regiões. Para os autores, a situação seria ainda pior sem a lei do desarmamento.
O levantamento preliminar demonstra que a maior queda na taxa de homicídios foi registrada na região Norte, enquanto que a maior alta verificou-se nas regiões Nordeste e Sul. As regiões Centro-Oeste e Sudeste mostraram estabilidade. No geral, todos os estados com crescimento superior a 100% nas taxas de homicídios pertencem ao Nordeste. No entanto, cabe destacar que o Estado de Pernambuco reduziu o índice de assassinatos, indo na contramão da região, assim como os Estados de São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, onde se notam resultados positivos de políticas públicas específicas.
Os dados do “Atlas da Violência 2016” foram coletados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, com informações até 2014, e, em alguns casos, foram cruzados com registros da polícia, publicados no 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do FBSP. O levantamento traz a evolução dos homicídios no Brasil, dados da violência policial e de gênero, a situação da juventude, homicídios de afrodescendentes, entre outros temas, e faz uma análise sobre o fenômeno crescente da violência e suas causas.
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