Setre qualifica trabalhadores resgatados de trabalho análogo ao escravo
Trabalhadores do município de Itambé, no centro sul baiana, resgatados do trabalho em condições análogas ao trabalho escravo começam a trilhar um caminho diferente. Nesta quarta-feira (28), foi realizada, na Câmara de Vereadores do município, a aula inaugural do Programa Qualifica Bahia.
A iniciativa, que vai atender 24 pessoas, no curso Produtor Agrícola Polivalente, com duração de 200 horas, é realizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
Um desses trabalhadores é André dos Santos, que espera dias melhores daqui pra frente. “Agora teremos uma qualificação profissional, acredito que vamos crescer e ganhar muito com esse programa”. A titular da Setre, Olívia Santana, participou do evento e disse ter ficado “feliz de estar cara a cara com os trabalhadores resgatados, trazendo para eles um alento. Um curso de qualificação, com uma bolsa de R$ 477, que vai ajudá-los a seguir em frente com melhores condições de conquistar um trabalho decente. Acredito muito na educação. Meu lema é educar para libertar”.
Os trabalhadores foram resgatados na Fazenda Vitória, no município de Ribeirão do Largo, no sudoeste do estado. De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a operação foi realizada pela Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo da Bahia. Dos 19 trabalhadores, apenas o vaqueiro da fazenda tinha carteira de trabalho assinada.
Todos estavam em casas que não tinham energia elétrica, água encanada, banheiros e sem acesso à água potável. Além disso, trabalhavam sem qualquer tipo de equipamentos de proteção como luvas, máscaras para aplicação de defensivos agrícolas, armazenados o mesmo local em que dormiam. Conforme o MPT, os responsáveis pela propriedade devem pagar R$ 40 mil de encargos trabalhistas, que são referentes às rescisões contratuais dos funcionários. Ainda de acordo com informações da instituição, algumas das vítimas estavam com marcas de picada de escorpião e de aranha.
Fonte: Ascom/Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia
FH, 28/2/18




