Região de Feira teve maior média de cura da tuberculose, mas registrou queda em exames e tratamento
Estudo com seis pesquisadores ligados à Uefs e uma professora da Uneb analisou indicadores das 28 regiões de saúde da Bahia entre 2010 e 2021
Por Everaldo Goes
Estudo publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação aponta que a pandemia de Covid-19 afetou indicadores importantes do controle da tuberculose na Bahia. A pesquisa, divulgada sexta-feira (25), analisou dados das 28 regiões de saúde do estado entre 2010 e 2021, período em que foram diagnosticados e notificados 50.112 casos novos de tuberculose pulmonar.
No conjunto da Bahia, os pesquisadores identificaram redução na incidência da doença, na realização de baciloscopias, no tratamento diretamente observado e na proporção de cura. Houve aumento nos testes para HIV e no acompanhamento de pessoas que tiveram contato com pacientes. Os autores alertam, entretanto, que a diminuição das notificações durante a pandemia pode estar relacionada a dificuldades de acesso aos serviços, atraso no diagnóstico e subnotificação, e não apenas a uma redução real da doença.
Resultado regional
A Região de Saúde de Feira de Santana apresentou média de cura de 75,3% no período analisado, a maior entre as 28 regiões de saúde da Bahia. Apesar da liderança, o resultado permaneceu abaixo da meta superior a 85% mencionada no estudo. A incidência média foi de 21,3 casos por 100 mil habitantes. Os dados abrangem toda a região de saúde e, portanto, não representam exclusivamente o município de Feira de Santana.
A região registrou redução média anual de 6,4% na realização de baciloscopias, a maior queda entre as regiões analisadas, além de diminuição de 10,3% no tratamento diretamente observado e de 1,6% na proporção de cura. Por outro lado, a realização de testes para HIV cresceu, em média, 2,9% ao ano. Na comparação com 2019, o tratamento diretamente observado caiu 65,6% em 2020 e 50,9% em 2021.
Autores do estudo
Participam da pesquisa Michelle Martins Souza, Maria Yaná Guimarães Silva Freitas, Aloísio Machado da Silva Filho, Kaio Vinicius Freitas de Andrade, Maricélia Maia de Lima e Juliana de Oliveira Freitas Miranda, todos com vínculos acadêmicos informados com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Também assina o trabalho Neuranides Santana, professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
Intitulado ‘Impacto da pandemia por Covid-19 nos indicadores epidemiológicos e operacionais de controle da tuberculose’, o trabalho utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação fornecidos por órgãos da Secretaria da Saúde da Bahia. Os autores apontam limitações como possíveis casos não notificados, erros nos registros e o uso de informações agrupadas por regiões de saúde.
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27/09/26




