Sindicato dos professores da Uefs vê risco à autonomia em proposta de bolsas
Proposta foi retirada da pauta do Conselho Universitário após mobilização; Adufs questiona influência de interesses externos nas prioridades acadêmicas
A Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs) considera que uma proposta de regulamentação de bolsas de inovação, apoio técnico e extensão tecnológica pode comprometer a autonomia e o caráter público da Uefs. Para a entidade, as regras abrem espaço para que interesses de financiadores externos influenciem a produção de conhecimento e as prioridades acadêmicas. A posição consta de carta aprovada pela categoria e dirigida ao Conselho Universitário (Consu).
Segundo a Adufs, a proposta foi retirada da pauta da reunião do Consu da última quarta-feira (9), após mobilização de professores e estudantes. O ato havia sido aprovado em assembleia docente no dia anterior. A retirada interrompeu a apreciação naquela sessão, mas não corresponde à rejeição definitiva do texto pelo conselho. A categoria, por outro lado, manifestou oposição à íntegra da minuta.
Prioridades
O documento prevê a regulamentação dos programas institucionais de Bolsas de Inovação Tecnológica (Probitec), de Apoio Técnico Tecnológico (Pibat) e de Extensão Tecnológica (Pibet). Conforme os artigos reproduzidos pela Adufs, as atividades incluem desenvolvimento de tecnologias, proteção da propriedade intelectual e transferência de tecnologia, inclusive para empresas. A preocupação do sindicato é que a busca por aplicações comerciais reduza a atenção à pesquisa básica, que não necessariamente oferece resultados imediatos, e subordine a extensão universitária a demandas do mercado.
O financiamento é outro ponto de discordância. A minuta estabelece que as bolsas sejam custeadas prioritariamente por contratos, convênios de cooperação científico-tecnológica e instrumentos semelhantes. Recursos próprios da Uefs seriam utilizados excepcionalmente, conforme a disponibilidade orçamentária. Na avaliação da Adufs, esse modelo pode gerar dependência de financiamento externo e ampliar a influência dos financiadores sobre os projetos. O risco à autonomia, nesse entendimento, está na possibilidade de a universidade perder capacidade de definir as prioridades de pesquisa e extensão a partir de critérios acadêmicos e necessidades sociais.
Participação
A entidade também questiona a possibilidade de valores das bolsas serem definidos por convênios e de pesquisadores e técnicos sem vínculo empregatício com a Uefs receberem os benefícios. Para o sindicato, essas previsões podem gerar diferenças de remuneração orientadas pelo mercado e facilitar a entrada de interesses privados nos projetos. A crítica ao caráter privatista da proposta se refere, portanto, à possível influência da lógica comercial sobre a atuação universitária. Os trechos apresentados pela Adufs não preveem cobrança de mensalidades ou venda da instituição.
Na carta, a categoria afirma que o texto “abre um grave precedente para a mercantilização da educação pública” e rejeita a construção de uma versão alternativa a partir da proposta apresentada. A Adufs informou que convocará uma reunião ampliada para discutir os próximos encaminhamentos. O Feira Hoje solicitou ao Gabinete da Reitoria da Uefs um posicionamento sobre o tema, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
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14/09/26




