Ciência e Tecnologia 6 de setembro de 2026

Pesquisadores da Uefs participam de estudo internacional sobre saúde renal de idosos quilombolas

Pesquisa identificou elevada presença de fatores associados à doença renal crônica entre participantes de comunidade localizada em Jequié

Pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) participam de um estudo internacional sobre o risco de doença renal crônica entre idosos quilombolas. O artigo foi publicado pela Springer Nature no ‘Journal of Immigrant and Minority Health’, periódico dedicado a pesquisas sobre saúde e desigualdades sociais.

Randson Souza Rosa e José de Bessa Júnior aparecem vinculados à Uefs. O trabalho também reúne pesquisadores da UFMG, USP, Uesb, Uneb, Universidade Federal de Alfenas e Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique.

Pesquisa acadêmica

A publicação ocorreu no mesmo período em que Randson Rosa concluiu uma importante etapa da trajetória acadêmica. Em 28 de agosto, o então doutorando defendeu a tese ‘Vulnerabilidade cardiovascular em adultos quilombolas do Nordeste brasileiro: contribuições das dimensões cardiometabólicas, sociais, funcionais e psicossociais’. O trabalho teve orientação do professor doutor José de Bessa Júnior e coorientação do professor doutor Edson Zangiacomi Martinez e integra o Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Uefs.

O estudo publicado pela Springer Nature analisou 120 pessoas com 60 anos ou mais, residentes em uma comunidade quilombola de Jequié e sem diagnóstico prévio de doença renal crônica. A pesquisa considerou aspectos sociodemográficos, medidas corporais e exames laboratoriais.

Risco elevado

Entre os participantes, 92,5% foram classificados com risco aumentado de desenvolver a doença. Esse resultado, entretanto, não representa um diagnóstico de doença renal crônica. A classificação foi obtida por meio de um instrumento de rastreamento que identifica fatores associados ao problema. Os autores também alertam que o número de participantes e a análise de apenas uma comunidade não permitem generalizar os dados para todas as populações quilombolas.

Entre os fatores relacionados ao risco renal, a pesquisa destacou o Índice de Redondeza Corporal, calculado a partir da altura e da circunferência da cintura, e o Índice de Triglicerídeos-Glicose, usado como indicador de resistência à insulina. O índice de massa corporal e a relação entre cintura e altura também apresentaram capacidade moderada de identificar participantes mais vulneráveis.

Segundo os pesquisadores, medidas corporais e exames laboratoriais de baixo custo podem contribuir para o rastreamento precoce, principalmente em comunidades com dificuldades de acesso a serviços especializados. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas que considerem não apenas os fatores biológicos do envelhecimento, mas também as desigualdades sociais e as barreiras enfrentadas pelas populações quilombolas. O artigo está disponível para acesso público na plataforma Springer Nature.

Siga @feirahoje

06/09/26

 

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