Pesquisa com participação da Uefs aponta desafio para soro contra veneno de coral
Estudo internacional identificou diferenças entre venenos de corais-verdadeiras da Bahia e recomenda que variações regionais sejam consideradas na produção de antivenenos
As pesquisadoras Ilka Biondi e Dulcineia Ferreira Andrade, do Laboratório de Animais Peçonhentos e Herpetologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (LAPH/Uefs), participaram de um estudo que identificou diferenças importantes nos venenos de corais-verdadeiras encontradas na Bahia. Publicado em junho de 2026 na
revista científica internacional Biochimie, o trabalho aponta desafios para a eficácia dos soros utilizados no tratamento de acidentes com essas serpentes.
A pesquisa analisou amostras de veneno das espécies Micrurus ibiboboca e Micrurus bonita, provenientes de diferentes regiões do estado. Os pesquisadores encontraram variações na composição, na toxicidade e nos efeitos biológicos dos venenos, inclusive entre animais da mesma espécie. As corais-verdadeiras possuem veneno neurotóxico, que pode comprometer o sistema nervoso e provocar quadros graves.
Resposta diferente
Nos testes realizados, o soro antielapídico
produzido pelo Instituto Butantan neutralizou satisfatoriamente duas das amostras. Uma terceira, entretanto, foi pouco reconhecida e não chegou a ser neutralizada, mesmo com a utilização da maior dose testada. O resultado não significa que o soro seja ineficaz de maneira geral, mas demonstra que diferenças regionais na composição dos venenos podem influenciar sua capacidade de proteção.
Diante dos resultados, os autores defendem que as variações geográficas sejam consideradas no aperfeiçoamento dos antivenenos. O artigo também aponta a necessidade de estudos voltados ao desenvolvimento de terapias recombinantes
e de nova geração. A pesquisa reuniu cientistas da Uefs, Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Instituto Butantan.
Ciência na Uefs
Ligado ao Departamento de Ciências Biológicas e coordenado por Ilka Biondi, o LAPH desenvolve pesquisas sobre venenos e toxinas, mantém animais peçonhentos em cativeiro, participa da formação de estudantes e promove atividades relacionadas à identificação de espécies e à prevenção de acidentes.
O laboratório também integra a Rede de Pesquisa em Toxinologia Básica e Aplicada, formada por instituições do Brasil e de outros países da América do Sul. Em uma próxima reportagem, o Feira Hoje vai apresentar a história do LAPH, suas pesquisas, atividades e contribuições para Feira de Santana e outras regiões da Bahia.
Da Redação
Fotos: Laph Uefs
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21/08/26




