A grande obra que Feira não vai ver
José Ronaldo visita sistema de macrodrenagem que avança no Campo Limpo e Baraúnas; estruturas de grandes dimensões desaparecerão sob o solo quando os serviços forem concluídos
Uma obra de grandes dimensões está avançando em Feira de Santana, mas boa parte dela desaparecerá dos olhos da população quando estiver concluída. O prefeito José Ronaldo de Carvalho visitou no sábado, 8 de agosto, uma das frentes de trabalho do sistema de macrodrenagem que está sendo implantado a partir do Campo Limpo. Ao lado da enorme tubulação, é possível ter uma dimensão do que ficará
escondido sob ruas e avenidas para conduzir as águas das chuvas e reduzir os históricos alagamentos da região.
O conjunto das intervenções tem como principais áreas o Campo Limpo e as Baraúnas e alcança ainda trechos do George Américo e da Galiléia. Os dois primeiros bairros estão diretamente ligados pelo escoamento das águas. Conforme explicou José Ronaldo quando anunciou o projeto, em janeiro, a topografia faz com que águas provenientes do Campo Limpo sigam em direção às Baraúnas, razão pela qual a solução exigiu um projeto integrado. A drenagem do Campo Limpo terá como destino a Lagoa da Taboa, nas proximidades da Uefs.
Uma obra invisível

Apresentação da obra aos moradores, em janeiro
Um dos elementos que chama a atenção é o Tunnel Liner, sistema que permite a implantação de galerias por meio de escavação subterrânea. A solução é utilizada em pontos nos quais a profundidade da drenagem e as condições urbanas tornam mais adequada a execução por baixo do solo. Em junho, ao autorizar o início dos serviços, José Ronaldo explicou que parte da rede seria implantada dessa maneira, enquanto outros trechos exigiriam abertura convencional das vias. A previsão anunciada naquele momento era de aproximadamente 14 meses para execução dos serviços.
A característica subterrânea produz um contraste curioso com outra grande intervenção de drenagem que marcou Feira de Santana. Na primeira metade da década de 1980, a cidade recebeu o canal de drenagem que acompanha a atual Avenida Padre José de Anchieta, conhecida pelos feirenses como Avenida do Canal. Ali, a estrutura permanece a céu aberto e integra a paisagem urbana. No Campo Limpo e nas Baraúnas será diferente. Depois de concluída, grande parte da engenharia desaparecerá sob o chão. O que deverá permanecer visível será seu efeito, principalmente durante os períodos de chuva.
Quase R$ 70 milhões
Quando lançou a licitação internacional, em janeiro, a Prefeitura estimava investimentos de aproximadamente R$ 72 milhões, dos quais R$ 47 milhões eram projetados para o Campo Limpo e R$ 25 milhões para as Baraúnas. Após a concorrência, entretanto, o contrato para execução das obras e elaboração dos projetos executivos foi firmado com a Construtora BSM Ltda. pelo valor de R$ 69.186.998,71. O contrato foi assinado em 28 de abril. Portanto, o investimento contratado ficou cerca de R$ 2,8 milhões abaixo da estimativa inicial.
Desde o anúncio do projeto, José Ronaldo tem chamado a atenção justamente para uma peculiaridade desse tipo de investimento. Recursos dessa dimensão poderiam produzir uma grande quantidade de pavimentação, imediatamente perceptível aos olhos da população.
No caso da macrodrenagem, milhões de reais serão aplicados em estruturas que, terminada a obra, estarão em sua maior parte debaixo da terra. É uma intervenção que tende a desaparecer da paisagem, mas que terá cumprido sua finalidade se também desaparecerem, ou forem significativamente reduzidas, as cenas que moradores do Campo Limpo, Baraúnas e áreas próximas conhecem há décadas: ruas alagadas e água invadindo residências nos períodos de chuva.
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Feira Hoje, 12/08/26




